O site OC Weekly esteve presente no show do Paramore em Irvine – California que aconteceu no último dia 16, e ontem (18), foi divulgada uma review muito interessante sobre a performance. Leia abaixo o texto elaborado por Art Tavana, com fotografia de Christopher Victorio.

Vestindo joelheiras e shorts de Muay Thai, com suor escorrendo pelas pontas de seu cabelo “azul SLC Punk”, ficou claro que Hayley Williams do Paramore não é mais aquela quase imperceptível garota da Vans Warped Tour. Depois da The Self-Titled Tour do ano passado e anos de crítica injusta (amplificada pela partida dos irmãos Farro em 2010), Paramore é agora a sua banda. Não há mais nada a provar, e depois de 10 anos, o Paramore cresceu de maneira séria – a gravadora que revelou vários jovens artistas caiu como um bebê gordo a favor de Hayley Williams ter se tornado um ícone popular.

“Chegamos aos dígitos duplos, pessoal” disse ela calmamente a centenas de fãs enlouquecidos no Verizon Wireless Amphitheater, em Irvine; conectando-se com a platéia por sorrisos dados aos “rostos familiares” como se todos estivessem juntos na mesma minivan, com o pai dela sentado no banco do motorista. Aqueles fãs que descobriram o Paramore através de “Misery Business” em 2007 cresceram juntamente com Williams, que agora parece estar sentindo o desgaste em seu corpo – como um preço a ser pago pelo envelhecimento – exceto pelo fato de que ela tem apenas 25 anos: “Envelhecer”, disse ela à platéia, “tem feito com que os headbangs se tornem mais difíceis, mas ok, é por isso que eu tenho joelheiras.” E como qualquer lutadora que se preze, ela não é de reclamações ou de mostrar suas contusões. O pescoço e as costas de Williams estão constantemente doloridos, e o fato de estarem na estrada desde Outubro sem parar nos dá a ideia de que suas cordas vocais estão tensas. Mas nada disso ficou visível na parada em Irvine para um dos 44 shows da Monumentour com o Fall Out Boy – isso nunca acontece com Williams. Ela nasceu artista, assim como Freddie Mercury ou Elvis, antes dela.

Depois que a banda de Alternative Rock dos rapazes do New Politics terminou o show deles, uma tela gigante de LED criou uma nuvem enorme e púrpura conforme o Paramore adentrava o palco. A bateria de Aaron Gillespie sinalizou a primeira música, “Still Into You”, que clareou a confusão púrpura e revelou Williams, que segurava um microfone avermelhado e foi deslizando em foco com sua usual estrutura “corajosa-hip-hop-cheia-de-atitude”. Sem parar, o Paramore foi direto para a segunda música, “That’s What You Get”, que incluiu um canhão cheio de confetes que se espalharam pela pista enquanto Williams guiou a platéia a uma sessão conjunta de pulos. “Nós amamos essas explosões, e tocar músicas rápidas”, ela disse à platéia enquanto ao fundo se ouvia uma guitarra anunciando “For A Pessimist, I’m Pretty Optimistic”, que sacudiu tudo com muios efeitos de luz e um headbang implacável feito por ela, que nunca parecia desacelerar – mesmo quando estava correndo em volta do palco e desviando dos chutes voadores de Jeremy Davis como se fosse uma boxeadora treinada.

A partir da metade mais calma do set, um brilho esmeralda tomou conta do palco para “Decode”, que teve a reação mais alta e barulhenta do que qualquer uma das outras 14 canções que eles tocaram. Todos estavam cantando junto com Williams, que finalmente ficou parada no centro do palco – uma pequena silhueta sob uma parede de luzes cegantes verdes – o que permitiu que sua voz se tornasse o foco. Isso criou uma lúgubre sensação entre os fiéis fãs de Orange County; grande maioria deles que cresceu com o Paramore e os filmes da série Crepúsculo.

“É um prazer conhecê-los, deveríamos fazer isso mais frequentemente”, disse Williams descansando um pouco após “Decode”, para fazer alguns novos amigos. Para sua sétima canção em um setlist de uma hora, o Paramore escolheu uma balada, “The Only Exception”, que resultou em celulares iluminando o céu daquela noite como se fossem vagalumes elétricos. Williams se pôs sobre a multidão e permitiu que sua voz flutuasse pela anfiteatro, respirando suavemente junto aos ecos acústicos da guitarra de Taylor York.

“Last Hope” acabou por ser a calmaria antes da tempestade, e colocou Williams atrás de um teclado: “Vou deixar que aconteça”, dizia a letra enraizada ao momento mais sombrio do Paramore lá atrás em 2010, durante a desagradável partida dos irmãos Farro. A música se elevou para um clímax triunfante (vida imitando a arte), um símbolo de como sua paixão por música permitiu que Williams passasse por tudo isso, o ópio que desenha as pessoas na infinita matriz de intoxicantes hinos do Paramore, que vêm do coração. Williams se identifica com seus fãs, e é por isso que o Paramore funciona.

O set foi iluminado por uma jornada espiritual de 10 minutos entre “Let The Flames Begin” e sua sequência, “Part II”, um momento acolhedor e operático que fez com que a queda eminente da performance do Fall Out Boy parecesse quase cômica. Tudo começou com uma explosão de luzes pretas-avermelhadas, criando uma estética sombria depois de “Misery Business”, que eles haviam acabado de tocar. A sombra de Williams parecia ameaçadora sob o brilho vermelho em ebulição. “Oh glory”, ela cantou, preparando a platéia para o coro enquanto a guitarra fazia um “fade-out” proposital que transitou até Williams cair de joelhos, ficando de cara com o palco. Com os braços estendidos à sua frente, imóvel, luzes brancas bateram neles, atingindo a escuridão vermelha de “Let The Flames Begin” para “Part II”, o que criou um efeito estrelado atrás de Williams, que no momento cantava “Não sou mais que uma sombra na noite”, dirigindo-se para a intro pós-punk de “Part II”. O movimento simbólico das trevas para a luz alcançou seu clímax quando as cortinas caíram para revelar sete fileiras de brilhantes bolas de discoteca – 48 luzes estroboscópicas que eram pulverizadas sob Williams como estrelas cadentes do céu.

Para o ato seguinte, o Paramore decidiu levantar os espíritos com “Ain’t It Fun”. “Vamos levá-los à igreja!”, disse Williams, o que pareceu estranho, uma vez que já havíamos estado lá durante “Part II”. Mas ela pareceu se divertir com a música, permitindo que seus vocais fossem mais fundo em suas raízes funk e gospel originárias de Franklin, no Tennessee. No refrão final de “Ain’t It Fun” uma enxurrada de balões e confetes cobriram o anfiteatro enquanto o Paramore saía do palco. Não era necessário que houvesse bis.

“Não é que eu não sinta a dor, eu apenas não tenho mais medo de me machucar”, é parte da letra de “Last Hope” que reflete o atual estado do Paramore e de sua espirituosa vocalista, Hayley Williams, que virou otimismo para o mantra de sua banda, de continuar seguindo em frente. Quando finalmente foi a vez do Fall Out Boy adentrar o palco, nós já havíamos sido drenados de nossa adrenalina. Assistir Williams saltar por todo o palco mexe com o coração do espectador, que não consegue evitar de imitar seus modos e maneiras. A única coisa que consegue acompanhar o Paramore é uma estrela em plena explosão ou uma mudança no cosmos – e não o Fall Out Boy. Para alguns de nós, a Monumentour foi apenas uma continuação da The Self-Titled Tour, e essa é a verdade.

Fotos (clique para ampliar):

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