A Upset Magazine, revista online e física do Reino Unido, publicou uma review do novo álbum do Paramore, ‘After Laughter‘.

Stephen Ackroyd, autor da crítica, fez uma análise de várias faixas, relacionando melodias e letras à cronologia da banda.
Vários outros grupos de peso que estrearam álbuns recentemente, como Linkin Park e Papa Roach que lançaram, respectivamente, ‘One More Light‘ e ‘Crooked Teeth‘, não saíram das três estrelas. O Paramore, entretanto, é considerada por Ackroyd a banda mais importante da cena atual, e alcançou as máximas cinco estrelas.

Confira a tradução feita pela equipe do Paramore Brasil:

“Por favor, não me pergunte como eu estou, não me faça fingir.”
Esse é o fio que conduz o quinto álbum do Paramore, ‘After Laughter’. Depois de anos de mudanças internas, trocas na formação, alegações e disputas judiciais, não é surpresa que, agora, eles estejam se sentindo mais do que levemente abalados. O notável é como eles usaram tudo isso na produção do melhor álbum de suas carreiras.
Porque, não há nenhuma dúvida, foi isso que eles fizeram.
Você pode dividir a história do Paramore em duas metades distintas. Os seus primeiros três álbuns, até o ‘brand new eyes’ (2009), estão cheios de rebelião juvenil, vociferando contra as dores do amadurecimento. Mesmo que esse terceiro álbum tenha visto relacionamentos desmoronando, a chama queimava mais quente que o sol. Eram as luzes das tochas de uma cena brilhante.
Mas, em 2013, na época em que o álbum autointitulado foi lançado, eles eram pessoas diferentes. Parte daquele DNA permaneceu, mas foi substituído pela invenção de uma banda que percebeu que seus horizontes eram tão amplos quanto seus planos. Lidando com os danos da perda dos irmãos Farro em uma separação conturbada, em vez de se afundarem, eles almejaram as estrelas. Extraordinariamente, para uma banda na posição deles, eles as alcançaram, em seus próprios termos. Sugerir, quatro anos antes, que a banda fosse compor uma música como ‘Ain’t It Fun’ era fazer com que as pessoas rissem. Com a conquista do Grammy, é o grupo que sorri.
E então tudo colapsou novamente.
Com a saída menos pública, mas também alvoroçada, do baixista Jeremy Davis, o Paramore ficou com apenas dois membros. É essa dinâmica que cromatiza e ornamenta o ventre do ‘After Laughter’, em conjunto com a maneira como retornaram da borda do abismo.
O caráter de definição do álbum não é o ritmo pop dos anos 1980 que transparece nas faixas. Não é, também, a mudança num som que é capaz de demonstrar evolução e revolução na mesma nota. Não é – ainda, – o fato de que, mesmo contra todas as expectativas, o Paramore se encontrou como a mais importante banda de rock do planeta, mesmo não tocando o rock tradicional enquanto agarram a coroa. É a energia que permitiu que a banda continuasse que define um álbum marcante. A contradição entre a melodia e as letras das músicas não só repele, mas gira. Rápido.
Na primeira escuta, o single ‘Hard Times’ soa como um soco tropical dos Talking Heads. Sob a superfície, está a escuridão desordenada; os sentimentos incômodos de vingança e instigação construídos sobre a insegurança em si mesmos. Enquanto seus iguais cantam sobre banalidades e clichês, o Paramore é diferente. Nós sabemos o que eles passaram. Nós sabemos que tudo isso é dolorosamente real.
Boa parte do disco carrega um tema similar. “Até onde sei, o melhor já acabou e o pior ainda está por vir”, Hayley atesta em ‘Told You So’. Suas dúvidas sobre a modificação da banda para outro álbum são bem documentadas, mas o comprometimento de gravar essa sobreposição deixa de ser negativo. Juntando-se às invenções brilhantes do guitarrista Taylor York, esses sentimentos tornam-se uma estranha forma de confronto. Com a determinação de forçar um sorriso e voltar à ativa, o novo Paramore não sabe sua própria força. Eles não apenas encontram seus pés, eles quebram a estratosfera.
‘Fake Happy’ lida com a necessidade de colocar uma máscara corajosa, cheia de linhas de expressão que mostram que, seja você um músico internacionalmente famoso ou um fã realista, seus padrões de pensamentos não são tão distintos. É isso que prova que o Paramore finalmente desabrochou em algo ainda maior, mesmo que eles mesmos não acreditem nisso ainda.
Apesar disso, o ‘After Laughter’ não possui apenas experiências depressivas e confetes. Se há uma faísca que iluminou a escuridão, ela é marcada pela volta do baterista Zac Farro. Se dinâmica é importante para uma banda, o trio recentemente reunido brilha como uma cidade repleta de neons fluorescentes. Apesar de tudo que aconteceu no passado, não há a impressão de uma trégua controversa. É, em vez disso, algo glorioso, que cria momentos de alegria verdadeira.
‘Grudges’ mostra o Paramore consertando-se de dentro para fora. Liricamente, é a fenda de brilho que explode – uma óbvia ode às amizades reparadas que está banhada no espírito de todos os três membros. Na hora em que os vocais de Zac surgem, o sentimento de esperança sem filtros é o bastante para arrepiar-se.
A circunstância mais imediata do álbum é uma besta completamente distinta – mas, se for um sinal da direção em que o Paramore seguirá no futuro, é eletrizante. ‘Rose-Colored Boy’ é um caramelo salgado – o lugar onde os picos semelhantes do ‘After Laughter’ se chocam. É despreocupada na superfície, mas, por baixo, a turbulência da canção borbulha. Trabalhando, ao mesmo tempo, como um explosivo pop brilhante e uma declaração da condição moderna, é o cartão de visita da ascensão do Paramore ao topo.
Aquela sugestão de que o Paramore pode ser, no momento, a banda mais importante de sua cena musical, possivelmente não vai longe o bastante. É, também, algo que eles rejeitam ativamente. ‘Idle Worship’ soletra isso em termos diretos. “Tenha certeza de que você vai colocar sua fé em algo mais”, Hayley pede; mas, ao alegar que não é uma heroína, ela realça o motivo pelo qual foi posta em um pedestal.
Isso não é apenas sobre o Paramore ter produzido o que parece ser o melhor álbum pop do ano. Compartilhando tudo, é difícil pensar em outra banda deste tamanho que oferece tanta honestidade em uma escala tão grande. Aqueles pensamentos internos não são alienígenas para o resto de nós. Não são preocupações sobre unidades de deslocamento ou a dura vida na estrada. São os mesmos esforços que sentimos, com a diferença de que seus enredos são públicos. Síndrome do impostor, relacionamentos, o constante estado de guerra interna de uma mente insegura – também foram todos vividos, não escritos apenas para criar uma falsa impressão. É por isso que o Paramore importa. Eles não estão lá em cima porque esperamos que sejam perfeitos. Eles estão ali justamente por não fazerem isso, por tentarem fazer a coisa certa.
Se nós conseguimos os heróis que merecemos, é com uma coroa relutante que o Paramore deverá se acostumar, sabendo que um pilar não é feito de rocha, mas de uma fé bem colocada de uma legião inteira de fãs que se sentem parte de algo maior. Se, por algum acidente, eles caírem, nós os agarraremos, porque nós entendemos. Com o Paramore, podemos nos identificar. Somos iguais. Em suas próprias palavras, Paramore é, pelo menos, Hayley, Taylor e Zac. Não são apenas três pessoas. Somos todos nós. Mais do que nunca, nós somos o Paramore.

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2 Replies to “‘After Laughter’ é aclamado pela crítica e Paramore se consolida como uma das mais importantes bandas da atualidade”

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