Paramore fala sobre processo criativo do After Laughter e dificuldades do passado em entrevista ao The Sun

Paramore esteve nas últimas semanas fazendo shows da Tour 3 pela Europa, como acompanhamos por aqui. Em sua parada pelo Reino Unido a banda deu uma entrevista para o tabloide inglês The Sun, e vocês podem conferir a matéria completa traduzida pela equipe do Paramore Brasil a seguir:

Há uma obsessão por Paramore em Barcelona, onde a banda de Nashville está para tocar seu primeiro show na Espanha.

É o primeiro dia da Tour 3, a última parada europeia do trio, a qual inclui um show esgotado na O2 Arena em Londres esta noite.

No Sant Jordi Club em Barcelona, fãs animados fazem fila nas ruas ao redor do gigante centro de esportes próximo ao Estádio Olímpico.

E nos bastidores as coisas não são muito mais calmas.

A equipe está ocupada preparando o palco enquanto a vocalista Hayley Williams, o guitarrista Taylor York e o baterista Zac Farro são convocados para um meet and greet com os fãs.

“Estamos muito animados por estarmos de volta na estrada”, diz Williams, 29, acendendo uma vela no vestiário. “Estou morrendo para ir lá fora e performar algumas músicas novas que nunca tocamos antes.”

“Quando eu não estou cantando e estou nos locais vazios dos shows escutando à passagem de som me sinto tão mimada por cantar com esses caras.”

“Obviamente eles são meus amigo mas eles são os melhores músicos que eu já vi. E como uma banda, nós estamos na nossa melhor forma.”

Ano passado o Paramore lançou seu quinto álbum After Laughter com ótimas críticas.

Como uma banda, eles enfrentaram problemas desde a formação da banda, quando eram adolescentes há 14 anos. Mas os últimos 24 meses têm sido os mais difíceis até então.

Williams revelou que esteve batalhando contra a depressão em 2015. Depois seu casamento acabou e houveram problemas com a line-up da banda.

Todas essas experiências ajudaram a inspirar as novas músicas, incluindo o single Hard Times.

“Nós normalmente olhamos para trás pra um álbum e quais eventos o influenciaram”, diz Williams enquanto sentávamos para conversar.

“Mas esse daqui, nós ainda estamos vivendo essas coisas. Eu ainda nem tenho certeza sobre o que estou passando mentalmente até agora. É por isso que algumas músicas transcendem determinada situação. Mas algumas vezes eu sinto que estamos tocando músicas com palavras que escuto e percebo que ainda me sinto da mesma forma. Esse álbum é como uma terapia.”

Da última vez que me encontrei com Williams foi em 2013 para o álbum auto-intitulado da banda. Aquilo veio no despertar de uma confusa separação quando o guitarrista ex-namorado de Williams, Josh Farro, e seu irmão Zac sairam da banda em dezembro de 2010.

Em seu blog, Josh afirmou estarem saindo por conta do comportamento controlador de Williams e a gravadora deles. Ele acusou o resto da banda de “montar na cauda dos sonhos dela”.

O Paramore continuou como um trio – com Williams, York e o baixista Jeremy Davis.

Em 2015, houve mais agitação quando Davis deixou a banda e processou os outros, alegando que lhe deviam créditos e direitos autorais.

A banda entrou em acordo com Davis antes do lançamento do After Laughter.

Mas em outra reviravolta, Zac retornou no último fevereiro. York, 28 anos, disse: “Zac e eu nos reconectamos. Nós somos amigos desde quando éramos jovens e ele voltou apenas para tocar bateria no novo álbum.”

“Então pedimos a ele para voltar e ele foi muito honesto e disse que voltaria apenas se ele pudesse contribuir mais. Nós ficamos felizes com isso.”

Zac, 27 anos, esteve fazendo sua própria música na banda HalfNoise e agora está escrevendo para o Paramore.

“Ele apareceu na minha casa todos os dias e isso foi como o suporte que eu nunca tive musicalmente”, diz York.

“Então nós escrevemos algumas de nossas músicas favoritas em todo o disco. Ele começou a música Grudges, então eu fui e o ajudei. Eu tinha escrito Pool mas não conseguia terminá-la, então ele veio e me ajudou. E então escrevemos Rose-Colored Boy juntos.”

Para Zac, isso foi um caso de sair da sombra do irmão Josh e estabelecer sua própria posição na banda.

Ele diz: “Voltar foi como conhecer novamente alguém familiar, mas sendo uma entidade completamente nova.”

“Eu sou muito leal à minha família, então eu tive que questionar se eu estava traindo meu irmão.”

“Mas não parecia mais a mesma banda. Nós estamos todos mais velhos, diferentes. Eu estava com medo mas logo percebi o quanto precisávamos uns dos outros.”

“Isso nos deu uma nova confiança. No início da banda, eu estava magoado porque eu sentia que minhas ideias eram lixo.”

Para Williams, o estilo pop dos anos 80 de York a estimulou a melhorar a própria escrita.

Ela diz: “No começo fiquei tão intimidada porque isso era como as melhores coisas que eu tinha ouvido.”

“Eu tinha que escrever letras e de início eu não sabia se conseguiria.”

Williams conta que After Laughter é o álbum em que eles mais aprenderam, “não apenas em termos emocionais, mas musicalmente também”.

Ela diz: “Funcionou com Taylor co-produzindo com Justin Meldal-Johnsen de novo – como no último álbum.”

“Então Zac trouxe coisas que ele aprendeu na HalfNoise para o Paramore. E então eu estava no meio disso tudo, constantemente muito inspirada e brincando mais com instrumentos no estúdio.”

“Foi uma experiência incrível de aprendizado para nós. Eu sabia que queríamos crescer e mudar musicalmente. Essa nova música me inspirou muito.”

“Quando eu ouvi Grudges, aquilo parecia com The Smiths ou The Cure, de quem eu sou fã, então senti uma felicidade com esse novo som.”

“Então Rose-Colored Boy foi um sonho. Nós estávamos sendo impulsionados numa nova dimensão e eu amo onde chegamos.”

No meio de tudo isso, os três amigos estiveram lá uns para os outros.

Particularmente, Williams diz que ela foi ajudada por seus colegas de banda durante o seu fim de relacionamento com Chad Gilbert da New Found Glory, com quem foi casou em fevereiro de 2016, depois de quase oito anos juntos.

Conversando sobre o divórcio subsequente, ela diz: “Eu realmente sinto que a banda me salvou. Isso me deu um lugar para colocar meu propósito, algo a aguardar.”

“Ter conversas honestas com meus amigos é poder tirar todas as defesas e todas as agendas pessoais. Isso é algo que eu sempre amei muito – na minha amizade com Taylor, especialmente “.

O trio também aprendeu a fazer apenas as entrevistas que desejam.

No último ano eles fizeram apenas três no Reino Unido – essa daqui inclusa.

York diz: “Nós aprendemos a dizer não. A menos que seja algo em que realmente acreditamos ou que estejamos preparados, qual seria o ponto disso se não estivéssemos prontos?”

Williams sente que ela também aprendeu a ser uma pessoa mais compreensiva.

Ela diz que ter dificuldades com sua própria depressão a fez perceber como ela poderia ter simpatizado mais no passado com York, que também lutou contra essa condição.

Williams adiciona: “Sendo muito honesta, eu não acho que eu tive tanta empatia quanto eu devia ter tido no passado com Taylor – e até com a minha mãe.”

“Essas pessoas passaram por essa dificuldade na minha frente. Eu só pensei, “Não, você apenas acorda e escolhe ser feliz.”

“Mas agora eu fiz mais terapia e tirei um tempo para realmente pensar sobre o tipo de pessoa que quero ser, e isso me ajudou a entender.”

“Com o álbum auto-intitulado, Zac e Josh foram embora e Taylor e eu estávamos magoados.”

“Nós estávamos tristes e não sabíamos bem como mostrar isso. Então minha forma de lidar com as coisas por muito tempo foi vestir uma capa e apenas ser essa pessoa poderosa.”

“Eu aprendi, por ser uma vocalista, que você apenas tem que subir lá e fazer.”

“Quer dizer, apenas olhe pras roupas que eu vestia no passado – como as roupas de Latex e botas Frankenstein! Eu só queria ser tão durona.”

“Mas com esse álbum eu passei por coisas que nunca senti antes, e eu percebi que não podia usar minha armadura pra passar por isso.”

“Eu não parecia mais com aquela pessoa e isso me fez ter vergonha por um minuto.”

“Como nossa música Fake Happy, eu tive que ser honesta. Eu tive que pegar tudo isso e sangrar por muito tempo.”

“Isso me permitiu voltar atrás e pensar sobre como eu trato minhas amizades e ser mais compassiva.”

“Eu pedi desculpas ao T (York) e admiti que eu nunca entendi realmente como aquilo parecia até que eu também passasse por isso.”

À medida que o nosso tempo de entrevista vai chegando ao fim, o trio concorda que seu turbulento passado recente tem sido seus “anos de crescimento”.

Mas agora com seu quinto álbum eles ainda estão todos em seus vinte e poucos anos.

“Pode ser perigoso”, admite Williams. “É importante ter restrições.”

“Você precisa ser você mesmo, não a pessoa que os fãs pensam que você é. Idle Worship foi uma música importante nesse álbum por esses motivos.”

“Ela afirmou quem eu era e como eu me sentia quando as pessoas me viam. Isso me ajudou a perder essa antiga pessoa de uma vez por todas.”

“O maior aprendizado para nós – que nos permitiu ainda estar aqui e tocar nesses shows incríveis – é que nós descobrimos como nos apoiar e nos comunicar.”

“Nós saímos de algumas coisas difíceis.”

“Olhando pra trás, é louco em todos os sentidos da palavra. Um louco legal e estranho.”

“Mas o fato de que superamos nos deu esperança.”

“Nos mostrou o poder da música do Paramore.”

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Carolina Queiroz

Pernambucana. 21 anos. | Fã de Paramore desde 2008 | amante de música e fotografia | @bewareofcarol on Instagram & Twitter.