O caminho pelas trevas em busca da cura emocional em Petals for Armor e Midsommar

Quem está acompanhando as novidades do projeto de Hayley Williams, Petals for Armor, já deve ter percebido que algumas publicações em redes sociais fazem clara referência ao filme Midsommar, do diretor Ari Aster, responsável também pelo macabro ‘Hereditário’.

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[ALERTA SPOILER] Nessa matéria trazemos pra vocês um paralelo entre os aspectos da jornada de Dani, personagem do filme Midsommar, e as experiências de Hayley em sua trajetória com o Paramore, no seu divórcio e também em suas reflexões em sessões de terapia. Filme e vida retratam uma linha tênue entre ira e misericórdia na vida da cantora, embasando assim o primeiro lançamento de seu projeto solo, marcado para o dia 22 de Janeiro.

(Midsommar) Diferente de Hereditário, Midsommar é um filme de terror que foge dos padrões cinematográficos do gênero. Quem assiste esperando o clássico ambiente noturno e seres sobrenaturais, acaba se surpreendendo. A experiência vai além de aparições de fantasmas causando sustos repentinos. No decorrer do filme, o espectador se depara com a sensação de desconforto ao absurdo de testemunhar personagens que se sentem claustrofóbicos e presos em um campo aberto e cheio de lindas flores na Suécia – ou mesmo aversão ao ver cenas grotescas que acontecem em plena luz do dia.

(Petals for Armor) Esse contexto paradoxal entre luz e trevas já foi usado pelo Paramore no álbum After Laughter. Nele, temos letras pesadas e melancólicas, com uma sonoridade leve e alegre. Será que devemos esperar a mesma sonoridade festiva com letras obscuras em Petals for Armor?

(MIDS) No filme, começamos a narrativa com Dani, a personagem principal, passando por vários problemas pessoais, tais como uma crise em seu relacionamento com o namorado e a morte dos pais e da irmã, situações que a levam para uma profunda crise emocional.

(PFA) Em entrevista no começo de 2019, (https://l-odet.com/hayley) Hayley se abriu sobre problemas que passou em relação à família, diversos conflitos na banda e, principalmente, seu casamento. Tais situações que a levaram à depressão e pensamentos suicidas: “Eu comecei a ter pensamentos suicidas, eu pensava sobre a morte o tempo todo” (Hayley Williams).

(MIDS) Na vila, tudo parece tranquilo, com pessoas aparentemente pacíficas e hospitaleiras, vestindo roupas claras e leves, com muita cor e flores. Dani, porém, continua tendo crises emocionais, transparecendo que entrará em colapso a qualquer momento. 

(PFA) Essa contradição também aconteceu com Hayley durante o período de seu divórcio; ele ocorreu na época de lançamento do álbum After Laughter. A vocalista menciona que vivia em duas realidades: uma em que estava devastada em sua vida emocional e outra em que se sentia ótima em sua carreira: “Eu estava vivendo duas realidades muito diferentes (…) As coisas da banda estavam ótimas, eu estava me sentindo muito bem em me reapresentar para meu grupo de amigos. (…) Era difícil e eu não sentia que poderia ser coerente nessas duas atmosferas. Em casa com essa pessoa, e fora com meus amigos.” (HW).(MIDS) A cena que antecipa o clímax do filme é a do ritual que elegeria a rainha de Maio. Dani toma um chá alucinógeno e participa de um culto em que mulheres dançam cheias de flores até a última conseguir ficar em pé, sendo esta, Dani, que é eleita rainha.

Vemos a simbologia das flores representando a feminilidade e a primavera, ilustrando o recomeço e ao mesmo tempo um novo ciclo. Após esse ritual, vemos a transformação e a cura emocional de Dani, que se sente finalmente parte de algo novamente.

(PFA) Hayley relata uma experiência em que, durante a terapia, se viu com o corpo inteiro coberto de flores como um sinal de cura, feminilidade e recomeço: “Eu tive essa visão de muitas flores crescendo ao meu redor (…) Eu pensei, essa é quem você é agora. Essa beleza, feminilidade e força estão crescendo em você. (…) Desde então eu tenho colocado várias flores na minha casa (…) representando o poder de ser autossuficiente, mas também sensível e aberta.” (HW).

(MIDS) Dani se vê solitária, sem sua família, em um namoro que está à beira do colapso e passando ainda por uma crise existencial. Nesse cenário ela encontra na comunidade um novo conceito de família e o senso de pertencer a um lugar e um grupo de pessoas.

(PFA) Hayley também menciona um novo conceito de família: “Quando me mudei pra cá e os [membros do Paramore] conheci, eu encontrei pessoas que eram como eu. E eu era como eles também” (…) Então eu tive muitos desdobramentos e desconstruções das minhas ideias de família, lealdade e compromisso” (HW).

(MIDS) Após ser eleita rainha, Dani vê seu namorado em um culto, tendo relações sexuais com uma mulher. Com a traição, a ira toma conta dela. O grande clímax do filme se dá com Dani tendo o poder de decisão entre ter misericórdia de seu namorado, ou seguir pela ira e condená-lo ao ritual final, em que ele seria queimado até a morte. Bem, nesse caso a ira venceu.

(PFA) Hayley já confessou ter sentido muita ira durante o período sombrio de sua vida, afirmando que: “A ira se transformou em depressão porque eu não deixei ela sair” (HW). Nas publicações mais recentes do Petals for Armor no Instagram, a cantora escreveu as palavras “Ira” e “Misericórdia”, além da frase “Como definir a linha entre a ira e a misericórdia”. 

(MIDS) A cena final é de Dani em silêncio, no meio de muitos gritos, observando o fogo, com um olhar que passa da ira para a tranquilidade. 

(PFA) A imagem de Dani nessa cena foi publicada em forma de stories no Instagram do Petals for Armor, assim como a frase em um uma imagem completamente de flores: “A ira é uma coisa silenciosa”.
A personagem passou por um processo de cura emocional, assim como Hayley. “Hoje, a pessoa que eu sou de 30 anos se sente saudável (…) é preciso muito cultivo em meu coração, escavar muito solo para encontrar raízes antigas que estavam no caminho de outras coisas florescendo.” (HW).

É claro que a jornada de Hayley não envolve violência, sangue, ou rituais loucos na Suécia, mas certamente a cantora usou sua sensibilidade artística com maestria para se inspirar no filme.
Afinal, a vida não imita a arte, elas se fundem.

Autora: Bruna Fracaro (equipe Paramore Brasil)

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Ricardo Cardoso

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