Em um novo post no seu Instagram, Hayley Williams expõe sua posição a respeito da recente denúncia feita por Lydia Night, cantora e guitarrista da banda The Regrettes. A vocalista acusa seu ex-namorado Joey Armstrong, baterista da banda swmrs e filho de Billie Joe (Green Day) de abuso sexual.

Na carta, Hayley relata seu pesar em relação à vulnerabilidade de figuras femininas fortes e influentes no meio musical e relembra sua própria trajetória na “cena emo”.

Confira abaixo o post traduzido na íntegra:

Estive lendo várias declarações de amigas e pares da cena musical, todos que experienciaram abusos sexuais e de outros tipos pelas mãos de caras em bandas e outras partes da nossa indústria. Isso faz meu estômago doer e meus olhos ficarem vermelhos. É muito louco, na minha opinião, como vocalistas podem ser inspirações tão poderosas para tantas pessoas jovens, que nos vêem como pessoas “sob controle” de nós mesmas e de nossos arredores imediatos quando estamos num palco. Eu sei que esse sentimento “poderoso”, pra mim, é real – eu sinto esse tal empoderamento, que transcende qualquer noção de gênero; a liberdade de ser muito mais que a soma das minhas partes literais – quando estou no palco.
Mas a verdade é que, todos nós “pessoas da música” somos primeira e principalmente seres humanos. Vocalistas são vulneráveis e sentem vergonha da mesma forma que qualquer pessoa jovem que esteja seguindo qualquer outro caminho de vida. E os caras nas bandas? Bem, eles são em maioria vulneráveis também e infelizmente – seja de maneira consciente ou não – envoltos na toxicidade de uma cultura que existe desde muito antes de nós nos tornamos um fator nela. É indesculpável e não há nenhuma forma de mudar isso, exceto por chamar atenção disso e cortar esse comportamento.
É com um tipo pesado de gratidão que eu reconheço que de alguma forma passei pela minha carreira, em maior parte, ilesa. Apesar de que tenho minhas próprias histórias e perspectivas sobre relacionamentos envolvendo poder inapropriado -falta de balanceamento, narcisismo, e apenas ser uma jovem mulher no começo e meio dos anos 2000 na “cena emo”, eu sou uma das raras que não tem nenhuma história realmente terrível.
Toda essa divagação é apenas para realmente dizer que tenho muito orgulho das minhas pares que recentemente descarregaram-se dos segredos que mantinham por medo da vergonha ou culpa. Me coloco junto delas para ajudar a aprofundar nossa causa coletiva: proteger mulheres e jovens na cena musical.
Então para não tirar a caneta da mão das vítimas mais do que já fiz, eu vou terminar com isso: procure no seu coração se você está fazendo tudo que pode para reconhecer sexismo e misoginia – até mesmo nas suas formas mais diluídas – nas cenas musicais. Produtoras, empresários, bandas, etc… Todos nós somos responsáveis por criar essa cena, o padrão, a cultura. Nós devemos continuar denunciando comportamentos impróprios e nos apoiarmos até um padrão mais alto de respeito e empatia! Isso vai para o pessoal que está em cima, atrás ou na frente dos nossos palcos.
Todo meu respeito à Clem, Lydia e outras que denunciaram. Vocês são corajosas e dignas.

Tradução feita por Caroline Queiroz, equipe Paramore Brasil.

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