Nesta segunda (8), Daniel James, o produtor do novo álbum de Hayley Williams, abriu uma caixa via Stories para que fizessem perguntas a respeito do processo de criação de FLOWERS for VASES / descansos.

A Equipe PB traduziu todo a sessão de Question & Answer com exclusividade! Confira abaixo:

Pergunta: Quanto tempo durou o processo de gravação?
Resposta: Em torno de 2 meses e meio no total.

P: Onde Hayley parou e onde você assumiu?
R: Esse projeto foi uma colaboração com Hayley no centro. Ela compôs e tocou tudo, mas estávamos em constante diálogo, experimentando juntos ideias diferentes. Meu trabalho era ajudar com os arranjos, dar “forma” às suas ideias e também oferecer sugestões ou novos sons sempre que houvesse algo para descobrir.

P: Qual foi o equipamento de som mais usado no álbum?
R: Os microfones Neumann U67 e 500 Neve 1073 fizeram parte da corrente que utilizamos por fora da bateria.

P: Qual foi a diferença em produzir FFV se comparado a outros álbuns?
R: Todo álbum é diferente, mas a maior diferença desse foi, sem dúvidas, trabalhar em casa e ter a Hayley tocando tudo sozinha. Por ser apenas nós dois, as coisas foram simplificadas de várias formas e tornaram-nas mais eficientes. Eu, honestamente, prefiro não estar em um estúdio cheio na maior parte do tempo.

P: Qual plug-in você usou para modificar/diminuir a voz de Hayley no final de No Use I Just Do?
R: Utilizei a ferramenta AlterBoy do programa Soundtoys automatizando o formante para baixo enquanto lentamente colocava mais reverberação e atraso na voz.

P: Como foi a produção? Diferente do comum devido à quarentena?
R: Com certeza afetou o processo. Estrou grato por termos conseguido fazer o disco que queríamos sem um estúdio grande e músicos extras (o que, de qualquer maneira, não teria sido possível nesse momento). Além disso, trabalhar em um ambiente não-tradicional te força a se adaptar e a trabalhar de um jeito mais criativo, o qual, geralmente, te leva a ideias inesperadas.

P: Quantos latidos do Alf te fez descartar gravações?
R: Entre latidos, passos de patinhas e ossos sendo mordidos, diria umas 1674 vezes. Alf é o melhor mesmo assim. Na maioria dos takes, ele simplesmente deitava no pé de Hayley.

P: Quanto do arranjo foi planejado e quanto foi improvisado?
R: Hayley tinha gravações em seu iPhone da maioria do disco antes de começarmos. Então, criamos demos de cada canção para compreendermos os arranjos. Mas num geral, tivemos muitas improvisações e poucas coisas que nos fizeram pensar demais (a primeira vez pra mim!). ‘Primeiro pensamento é o melhor’ etc.

P: Qual foi a música que tomou uma forma completamente diferente no processo e mais te surpreendeu?
R: Eu diria que as canções que mais evoluíram foram, provavelmente, First Thing To GoMy Limb Just A Lover. Pelas ideias iniciais serem apenas a Hayley com um violão ou um piano, essas, sem dúvidas, foram mais longe, desde o início até o fim.

P: Você poderia indicar alguns dos momentos que podemos ouvir sons ambiente e/ou Alf?
R: O som de início de MY Limb é de uma tigela tibetana de Hayley que enchemos d’água e gravamos com zoom. Então, sintonizei ao Logic para deixar no tom da música. Também há alguns sinos de vento do quintal embrenhados na ponte de Over Those Hills. No decorrer do álbum, há mais alguns easter eggs.

P: Quais sintetizadores você usou para as camadas de ambiente?
R: Muitas texturas foram criadas usando Spitfire, Output, Valhalla e sons desenhados originalmente. Além disso, em algumas canções imprimi a faixa completa e modifiquei bastante e depois adicionei de volta como uma nova camada.

P: Como os sons falhados de My Limb foram gravados? Eles são incríveis. 
R: Obrigado. Uma combinação de edição manual, Output Portal e Valhalla Reverb, principalmente.

P: A combinação de música distorcida com vozes – são tipo memórias?
R: Sim! Na verdade, tropeçamos nisso enquanto experimentávamos e tentávamos coisas aleatórias. Inordinary é uma das minhas favoritas do álbum, principalmente por causa dessa edição. Não consigo explicar, mas isso mexe comigo e faz parecer como se quisesse estar lá. Assim como as nossas memórias podem se fragmentar e se distorcer ao longo do tempo.

P: Qual DAW você usou? 
R: Gravado em Logic Pro X, mixado em Pro Tools, pela lenda @musicfriend

P: Qual era o seu lanche favorito?

P: Como foi trabalhar com Hayley?
R: Hayley é uma das artistas mais dedicadas e despretensiosas que eu conheço. Mesmo com a logística doida que tivemos de lidar por gravarmos em casa, ela nunca se queixou nem uma vez e foi uma completa profissional. Ela é tão dedicada e motivada e disposta a tentar as ideias mais estranhas. A produtora dos sonhos de um artista.

P: Como o barulho do dia-a-dia foi editado? Tem um efeito ótimo, estou curioso.
R: Queríamos muito que parecesse impolido e vivo. Uma seleção de gêneros – ter a casa e a vida cotidiana fazendo parte. Pode parecer estranho usar um material tão emocional e cru e tentar fazê-lo super liso e polido. Particularmente, para mim foi um processo lento, mas continuo buscando por mais e mais imperfeição no meu trabalho conforme penso que aí é onde as coisas mágicas tomam vida.

P: Qual guitarra vocês usaram em Over Those Hills?
R: Uma guitarra assinada pelo Omar Rodríguez-López Mariposa. Um salve a At The Drive In / Mars Volta.

P: Qual canção possui mais as trilhas no DAW?
R: Definitivamente My Limb. Uma curiosidade: Find Me Here possui apenas cinco.

P: Os dois tiveram um ~objetivo sonoro~ para o álbum desde o primeiro momento?
R: Ao ouvir as gravações do iPhone dela, eu soube que eu queria que isso parecesse íntimo, como se você estivesse com ela numa sala enquanto ela toca. Eu queria que a voz dela fosse bastante enxuta e elevada. Eu também soube que eu queria um contrapeso que durante os momentos de espaço sono e vastidão, refletisse o peso emocional das canções. Além dessas coisas, descobrimos outras no momento e fomos tentando até descobrir o que funcionava.

P: Qual foi o maior desafio técnico que você encarou?
R: Definitivamente o isolamento sonoro. Eu gostaria de ter um som extremamente próximo e seco do microfone para várias coisas e, numa casa antiga, há vários barulhos aleatórios e muito som ambiente. Izotope RX veio a calhar algumas vezes.

P: Fale mais sobre a linda paisagem sonora do disco! O som arejado e meditativo.
R: Falamos muito sobre tocar e criar dinâmicas pelo intimismo e espaço em vez de usar volume ou densidade. Ter momentos intensamente secos e decapados e em seguida períodos de vastidão para sentimentos internos indescritíveis.

P: Existe algum som aleatório da casa trabalho em todas as canções?
R: Tentamos trabalhar algo do tipo em casa música. Por exemplo, a bateria em First Thing To Go foi construída com as batidas de coisas pela casa e transformando esses sons em samples.

P: Como vocês gravaram o baixo?
R: Usamos principalmente um baixo Fender P e um EKO em um pré-amplificador da Noble.

P: Qual microfone você usou na bateria?
R: Uma mistura de Coles 4038s e AEA r88 para as áreas superiores, 421 da Tom, D12 e FET47 para o bumbo, SM7 nos pratos e um antigo Unidyne 57 para as caixas.

P: Como você gravou os *sons* na casa?
R: Foi uma mistura de gravações no iPhone e um gravador Zoom.

E aí, o que você mais gostou de saber sobre o processo de produção do álbum? E o que você ainda tem curiosidade? Queremos mais uma sessão dessas!

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Ouça o novo álbum Flowers for Vases / descansos:

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