Cosmopolitan UK entrevista Hayley Williams

Durante sua passagem por Michigan, Hayley Williams cedeu uma entrevista à revista Cosmopolitan UK. Hayley cita seus planos para o futuro da banda, sua linha de tintura de cabelo e o desempenho da mulher no cenário musical. Confira abaixo a tradução da matéria elaborada por Kate Lucey:

Hayley Williams do Paramore no Reading & Leeds, mulheres, cabelo e mais um monte de coisas que não temos espaço para colocar no título.

Ah Paramore. Nós cantamos as músicas deles quando estamos indo pra casa bêbados, cantamos Misery Business no karaokê e estamos muito empolgados com a apresentação deles no festival Reading & Leeds.

Nós conversamos com a vocalista Hayley Williams quando ela encontrou um tempinho para nós no ônibus da turnê (ela está atualmente na Monumentour com o Fall Out Boy).

Oi, querida!

Oi!

Então, onde vocês estão agora e o que podem ver?

Nós estamos na estrada passando por Michigan, pois temos um show em Detroit.

Parece que está todo mundo enlouquecendo com essa turnê no Twitter. Vocês têm se divertido muito?

Sim… Eu sinto como se nós deveríamos ter feito isso há muito tempo. Nós [e Fall Out Boy] meio que viemos do mesmo mundo, mas essa oportunidade ocorreu e nós somos capazes de crescer e fazer coisas fora desse mundo de onde viemos e sermos aceitos. É muito legal. Toda noite é uma celebração.

Nós estamos ansiosos para tê-los de volta em agosto no festival Reading & Leeds no Reino Unido.

Sim! Nós também!

Como está sendo ser atração principal junto com o Queens of The Stone Age?
Eu não sei, acho que eles não poderiam decidir qual banda é a melhor.

Então vai ser tipo… vocês tocam uma música e então eles tocam outra, ou vocês vão fazer tudo isso juntos? Ou vocês vão tocar no Leeds e eles no Reading ou tanto faz?

Eu acho que nós vamos revezar, mas acredito que Queens é uma banda melhor. Mas eu tenho que dizer isso de qualquer forma; Não é legal ser metido.

Mas podem se orgulhar também, o Paramore está em um momento legal.

Sim, fico feliz por nós finalmente estarmos no topo. Já tocamos várias vezes antes da banda principal nesse festival.

O útlimo show foi brilhante.
Sim, da última vez tocamos antes do The Cure, isso foi insano!

Então, vocês estão em turnê com seu novo álbum por mais de um ano.

Sim, um ano e meio. É louco.

Ainda é legal de tocar ou vocês ou já se cansaram?

Ainda é legal porque não tocamos o álbum inteiro. Nós fizemos mais no cruzeiro porque tivemos muito mais tempo, mas não, eu ainda não estou cansada de tocar estas músicas. Eu acredito que esse é o melhor trabalho que já fizemos e é legal poder mostrar isso para as pessoas.

Podemos esperar alguma surpresa no Reading ou vocês vão continuar tocando os hits?

Bom, isso depende de quanto tempo nós iremos ter. Eu notei que nessa turnê temos uma set menor do que se fosse uma única banda headliner. Ainda parece um grande show, mesmo que não seja completo. Eu quero dizer, no fim do último ano nós estávamos fazendo shows de 100 minutos, isso é muito para uma banda como a nossa, especialmente com um monte de músicas rápidas.

E um monte de saltos o tempo todo. Você deve usar sapatos confortáveis.

Sim, exatamente. É bem atlético. Depende, nós não nos decidimos ainda. Vamos fazer algo derivado do que já havíamos feito. Aí então nós vamos ver o que se encaixa melhor. Eu sei que irá ter várias pessoas que nos apoiam há muito tempo, mas também alguns que nunca assistiram a um show nosso antes. É sobre entreter ambos.

Empolgante. Então, obviamente, as coisas estão funcionando muito bem para vocês no momento, e você é claramente uma mulher ambiciosa. O que ainda falta alcançar?

Eu não sei. Nós riscamos todos os grandes objetivos. Mas talvez seja algo que você descubra ao longo do caminho, você decide quais portas deverão ser abertas e que tipo de inspiração vem. Na altura em que nossa carreira se encontra, nós apenas tentamos seguir os nossos instintos, sobre quem nós somos, que tipo de música fazemos, como isso irá se encaixar? Como isso expressa onde nós estamos no momento? Nós nunca seguimos algo. Nós só queremos ser o Paramore. Queremos vender essa ideia para as pessoas, continuar ganhando fãs, uma família ao redor do mundo, então isso poderá crescer naturalmente e não à força.

É um momento muito bom para as mulheres na música, não acha?

Eu amo isso, e acho realmente incrível. Há 10 anos – quando estávamos começando – teria sido muito motivador se tivessem mais meninas da minha idade para eu fazer amizade ou para me entenderem. Isso está sendo normal de ver. Eu notei que na Warped Tour desse ano havia muitas bandas com uma ou mais integrantes mulheres. É legal. Há uma música de grande qualidade vindo com as mulheres no momento, de qualquer forma. Eu gosto de ser uma delas.

Nós também gostamos que você seja uma delas. Mas, quase toda mulher na música fala sobre sexismo na indústria – que tipo de experiência você teve com isso?

Eu não acredito que você possa escapar disso, não importa quanto tempo tenha nos palcos. Isso foi obviamente pior quando nós eramos jovens e uma banda menor. E eu prestava mais atenção nisso porque era mais sensível. Tocando em shows, alguns caras não sabem como agir com uma garota no palco, ainda mais com um microfone na mão, o que eu acredito que impõe autoridade de certa forma. É engraçado pensar que algumas pessoas não sabem lidar com isso. Mas eu aprendi a lidar com isso desde cedo, inicialmente algumas pessoas eram expulsas da plateia, mas outras nos apoiavam.  Agora eu apenas ignoro.

A opinião de uma pessoa ignorante em um show não afeta o nosso alcance ou o que quero fazer como pessoa ou mulher. Eu tento escolher as minha batalhas. Quando eu vejo outras bandas passando por isso  eu penso “ah, droga” porque eu lembro como me sentia quando era mais nova. Eu tenho uma amiga na banda Candyhearts e ela vê um monte de coisas estúpidas na internet por eles serem uma banda nova. Nós conversamos sobre isso e eu tento apoiar ela. No fim das contas quem realmente importa são as pessoas que te apoiam .

Você já recebeu algum consellho que guarda até hoje?

Eu diria que não, tentando parecer feminista, mas de uma maneira geral, Shirley Manson tem me apoiado muito. Ela é incrível para mim. Eu não toco com ela há muito tempo, mas há um ano e meio quando tocamos no Soundwave, nossa primeira turnê para divulgar o álbum auto intitulado, ela me apoiou muito e dizia “precisamos  de garotas duronas, precisamos de garotas com atitudes, que não tenham medo de detonar no palco e não abaixem a cabeça só porque alguém diz que você não pode fazer algo”. São palavras simples, mas ela me apoiou muito, não somente sobre este assunto, mas também sobre a nossa música e o que queremos como banda. Ela é uma artista e escritora incrível e eu realmente a respeito, conhecer alguém assim – as vezes você consegue conhecer seus ídolos e não é tão ruim assim.

Você e o Paramore como um todo sempre foram muito bons em incentivar a individualidade…

Eu era assim na escola também. Me vestia um pouco diferente das outras pessoas e gostava disso, você sabe… ser diferente. Não que eu goste de pessoas olhando pra mim, mas quando eu era criança pensava que todo mundo deveria ser diferente. Isso só me faz sentir mais determinada, porque eu sei que cada pessoa que nos escreve, não importa por onde, seja no Twitter ou outro meio, estão tendo dificuldades para se adaptar ou sofrendo bullying, eu sinto como se fosse comigo, porque sei como é passar por isso.

A música era um grande refúgio. Isso não resolve tudo, mas te permite sentar em um quarto e escrever uma música, ou com pessoas que tem as mesmas ideias que você e querem criar algo. Não precisam ser iguais a você, mas devem compartilhar os mesmos objetivos, querer se expresser, sei lá. Pra mim não importa se você pinta o cabelo ou escreve um poema, se é isso que você quer, não se preocupe com o que os outros pensam, isso é estupidez.

Toda vez que vou em um show do Paramore, está cheio de garotas com cabelos coloridos selvagens, isso deve ser muito legal de ver!

Sim, eu amo isso e é bem mais recebido hoje em dia. É normal ver pessoas com cabelo de cor neon ou maquiagem  louca, mas eu acredito que as pessoas estão lutando pelos seus direitos de expressão, ou apenas parecer bobos ou se vestir de uma forma maluca. Precisamos de pessoas assim no mundo se não vamos acabar andando por aí com pastas, ternos e gravatas.

O mais engraçado é quando eu e os garotos estamos entrando no avião e todo mundo fica olhando para nós por estarmos sentados junto com o pessoal dos negócios, e eles ficam tipo “Uhh vocês deveriam sair daqui”. Nós pagamos como todos vocês de terno e gravata. Não estou dizendo que todos deveriam ser como nós, mas é legal podermos ser assim. É legal poder mostrar isso as pessoas, principalmente as mais novas, que é possível.

E você tem sua própria linha de tintura de cabelo lançada nesse ano ou no próximo ano?

Estou trabalhando nisso agora mesmo. Tenho ido a muitas reuniões e tem sido muito agitado porque estamos no processo criativo. Nunca imagina começar algo que não fosse relacionado a banda. É diferente, tenho aprendido muito. Ontem de noite eu estava lendo uns emails e sobre negócios, foi interessante. É um processo divertido. Quando eu puder convidar as pessoas pra mostrar tudo que está acontecendo, eu irei. Ainda é muito cedo pra comentar qualquer coisa..

Você devia fazer alguns trocadilhos com as músicas do tipo “Still Into Blue” ou “Ain’t It Plum”…

Ótima ideia! Amo trocadilhos sim e com certeza vão ter muitos.

MAL POSSO ESPERAR.

Paramore toca no Reading & Leeds Festival em agosto e com certeza serão excelentes. Oh, e o single “Ain’t It Fun” sai no Reino Unido dia 25 de agosto. COINCIDÊNCIA?

Fique ligado no Paramore Brasil e informe-se sobre os shows no país em 2014!

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Ricardo Cardoso

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