Paramore será destaque da edição de maio da Nylon Magazine, que já está nas bancas. Confira abaixo a matéria:

Apenas 24 horas após o vazamento dos supostos títulos das 12 faixas do seu quinto álbum, “After Laughter”, a banda enfrenta um mistério bem maior enquanto almoçamos na Marsh House, em Nashville. Tem a ver com o garçom que acabou de deixar uma torrada com camarões grelhados na mesa. Há boatos – de acordo com o baterista Zac Farro, cujo irmão Jonathan é o chef de confeitaria do restaurante – que o garçom em questão possui uma jaqueta da Buffy, a Caçadora de Vampiros.

“Será que no final do almoço nós deveríamos tentar fazê-lo admitir que ele gosta de Buffy?”, pergunta Hayley Williams, líder da banda e ex-cabelo cor de fogo (ela agora trocou seu icônico laranja por um loiro quase branco). Vestindo um macacão e uma malha listrada, ela também está usando um boné azul com os dizeres “Eu quero ser estereotipada, eu quero ser classificada” escritos em linha preta. É uma frase de uma canção do The Descendents e ela já foi vitima das duas coisas.

“Eu adorei, mas eu acho que é rude”, diz Farro sobre a estratégia de Williams, enquanto ele recebe updates do seu irmão por mensagem. (A jaqueta é com serigrafia? Um bordado da Sarah Michelle Geller? Mentes indagadoras querem saber.) Taylor York, guitarrista e co-compositor, além de co-produtor de “After Laughter” ao lado de Justin Meldal-Johnson, concorda. Ninguém irá mencionar a jaqueta – afinal, eles sabem muito bem como é ter informações pessoais reveladas ao público – porém, todos têm dificuldade em ficar sérios na hora de fazer os pedidos, trocando olhares entre si como se fossem irmãos trocando chutes de brincadeira embaixo da mesa de jantar.

O fato desses três estarem sentados aqui contando piadas é quase um milagre, especialmente considerando que Farro saiu do Paramore em 2010, ao mesmo tempo que o seu irmão, o ex-guitarrista Josh Farro, que publicou um post sobre as intenções de Williams para a banda como sua não tão doce despedida. A turbulência no Paramore não começou aí. A banda tem sofrido com altos e baixos em relação aos seus integrantes desde a criação da banda em 2004, quando ainda eram adolescentes, sendo o obstáculo mais recente um processo judicial do ex-membro Jeremy Davis sobre royalties. Muitas vezes, amigos de infância passam por diversas brigas e discussões e o Paramore não é diferente. Eles só tiveram que passar por isso em um palco na frente do mundo inteiro.

“Quando nós estávamos no quarto do Zac ou do Taylor, nós só queríamos estar lá e estar próximos,” relembra Williams. “Era só isso que a gente queria para nossa banda. Mas nós erramos bastante. Nós erramos.” Quando Paramore começou a trabalhar no “After Laughter”, a banda era uma dupla: somente Williams e York, compondo juntos. Por um lado, eles gostavam do material que eles estavam produzindo – as letras eram mais vulneráveis do que nunca e as músicas mergulhavam em um território sonoro totalmente novo – mas alguma coisa parecia não estar certa. Eles chamaram o Farro para ir ao estúdio e tocar bateria em algumas das músicas e, imediatamente, ficou claro que ele era o elo que estava faltando. “As músicas ganharam vida”, diz York, que propôs convidar Farro de volta para a banda alguns meses após a visita. Williams concordou imediatamente: “Sem hesitação”, ela diz.

Para Farro a decisão não foi tão simples. Após deixar a banda, ele viveu na Nova Zelândia por um tempo, depois retornou à Nashville e formou uma nova banda, a HalfNoise. Mas, no final, ele voltou ao Paramore – parcialmente para fazer música, mas também para fazer as pazes com seus amigos mais antigos. “Nossas amizades são para a vida toda e foi isso que tornou a decisão muito simples”, Farro explica. “O novo álbum é incrível, mas, no final das contas é só música. Nós nunca nos demos tão bem”.

Apesar de agora a banda estar compartilhando comida e piadas sobre Buffy, “After Laughter” fala muito sobre a dor que precedeu o momento em que o Paramore está atualmente. O primeiro single, “Hard Times”, diz tudo: é uma sonoridade nova para a banda, com exóticas batidas sobrepostas e complexas e toques de new wave dos anos 80 (Blondie e Talking Heads foram referências e você consegue ouvir desde Tune-Yards até David Bowie na música). É uma canção sobre querer chegar ao fundo do poço para que você possa, finalmente, se reerguer, e Williams canta como alguém que não tem nada a perder. Afinal, Paramore sempre teve um dom particular de fazer uma música triste explodir de energia, de modo que confrontar o desconfortável se torna, de alguma forma, tolerável.

“Eu tinha a sensação que eu vomitava a cada duas semanas”, diz Williams sobre o processo de composição. “Tinha esse veneno que eu precisava botar para fora. Tem muitos pensamentos depressivos e obscuros, coisas estranhas. E algumas coisas são cômicas, porque, de alguma forma, eu tinha que rir disso.” Agora eles estão rindo, parecendo jovens de faculdade no intervalo após a aula, enquanto se fartam com donuts. Não foi sempre assim e eles sabem o quão frágil isso pode ser, porque o que vem após a gargalhada? Para Williams, aquele momento quando os risos diminuem sempre foi o mais cativante, ela diz. Após a gargalhada vem as lágrimas, como diz o ditado, mas para o Paramore é um pouco diferente. Após a gargalhada vem a verdade.

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