Em uma nova publicação em seu blog, Hayley Williams escreveu sobre o álbum This Is Why, que completou 3 anos de lançamento esta semana, e falou sobre Trump – mencionando a performance do Paramore no iHeart Radio, que na época foi criticada por Elon Musk -, sobre o fascismo que percorre o mundo no momento e sobre como espera que a arte ainda possa salvar gerações futuras.

Confira a tradução:

“minha empresária me mandou um link ontem à noite para uma apresentação ao vivo do ‘the berklee paramore ensemble’. até então, eu não sabia que existia um curso na berklee college focado na música/carreira do paramore. fiquei bem emo assistindo estudantes tocarem nossa música. a parte que eu vi foram músicas do nosso último álbum, do this is why, que completou 3 anos justamente ontem, então isso deixou tudo ainda mais sentimental. eles fizeram um trabalho incrível tocando e cantando juntos. isso me deu muita esperança de que sempre haverá jovens que queiram pegar instrumentos e fazer barulho. e esses jovens vão criar arte que pode muito bem acabar inspirando outra geração.

cara, eu gostaria que houvesse esse mesmo nível de acesso a equipamentos etc. e à educação musical/mentoria para qualquer jovem interessado em aprender e tocar. este ano, há propostas de cortes no orçamento federal que acabariam com a educação musical e artística. essa realidade segue ali, zumbindo ao fundo das manchetes sobre o kennedy performing arts center, que em breve estará completamente arruinado, pelo qual nosso presidente se tornou obcecado. o fascismo odeia arte e expressão porque arte e expressão sinalizam todo tipo de liberdade. arte não pode ser controlada nem contida.

desde o lançamento do this is why, nosso país/nosso mundo ficou mais difícil de viver, não mais fácil. e digo isso sendo uma mulher branca com mais de duas décadas de sucesso numa carreira que eu escolhi. sinto muita gratidão por ter uma plataforma e por ter liberdade no meu trabalho para me expressar. enquanto eu ouvia a banda tocar nossas músicas ontem à noite, lembrei de como foi uma curva de aprendizado me posicionar mais publicamente sobre política durante o ciclo do this is why, às vezes me expondo a umas críticas bem constrangedoras de pessoas cujos valores parecem diferir fortemente dos meus, fossem comentaristas da fox news ou o próprio elon musk. lembrei de como eu tinha tanta esperança naquela época de que venceríamos trump nas urnas. enquanto gravávamos o this is why, roe v. wade foi revogada, e eu me lembro vividamente de sair naquele dia para me afastar da tv e do scrolling. foi num café no leste de los angeles que me peguei olhando nos olhos de mulheres que eu não conhecia, procurando e encontrando nelas a fúria que eu sentia em mim. levei toda aquela fúria, e medo, para a estrada conosco e isso percorreu meu corpo como um vírus. eu não sabia então o quanto ainda tinha a aprender sobre a raiva como combustível de poder, e como destilá-la até suas partes mais úteis.

o último show que fizemos do this is why foi um programa de rádio transmitido ao vivo. não foi minha ideia de despedida perfeita, mas foi uma grande oportunidade de me posicionar. uma última tentativa de mobilizar qualquer pessoa que pudesse estar ouvindo antes do dia da eleição.

em 2026, trump, nosso presidente mais uma vez, ainda borra os próprios ternos e mente descaradamente sobre tudo. em 2026, o project 2025 está 51% concluído e já estamos falando de um project 2026. ice (fodam-se), epstein (foda-se), cidades que administram mal e colocam lucro acima das pessoas (fodam-se), múltiplos genocídios (FFFFFODAM-SE) – apenas alguns dos enormes problemas dominando o noticiário e nossas mentes coletivas. é um momento exaustivo para simplesmente ser humano, especialmente se você é um ser humano do lado da liberdade e da justiça para todos.

a carreira que escolhi me permite me envolver diretamente com muitas pessoas, por meio da arte e de eventos ao vivo. este ano, estarei ainda mais na rua do que estive no ano passado, vendo o mundo de perto. ainda me sinto muito sortuda por, como alguém que sofre bastante com a própria mente e um sistema nervoso hiper vigilante, poder passar bastante tempo junto das pessoas de alguma forma. posso participar da catarse tão necessária que a música ao vivo nos oferece e me conectar com outros seres humanos. é meio que a única maneira que vejo de continuar minimamente esperançosa diante de… tudo.

numa nota mais pessoal, desde que o this is why foi concluído, sinto que minha relação com a memória do álbum sofreu bastante. só recentemente ouvi uma música ou assisti a um vídeo e percebi que foi, de fato, o nosso melhor trabalho (ele tirou a coroa e o bolo do after laughter, que eu achava que seria meu favorito para sempre e sempre). todo mundo fez seu melhor trabalho pessoal como paramore no álbum, fizemos muitos shows que foram os melhores da carreira. havia muito o que celebrar o tempo todo, na verdade, quer tenhamos feito isso ou não. consegui cumprir a missão pessoal de usar nossa plataforma para falar sobre as questões mais urgentes daquele momento. sou muito grata por tudo o que aprendi sobre a banda, sobre mim mesma, e sobre aquilo em que acredito e no que não acredito, mesmo nesse período tão breve. parece que, 3 anos depois, finalmente tenho uma nova perspectiva sobre o que o álbum – e tudo o que ele envolveu – realmente significou para mim como pessoa e não apenas como artista. aproveito para dizer que acho que thick skull é a música mais importante que já fizemos.

obrigada aos fãs e aos veículos online que reconheceram ontem o aniversário do this is why.

e obrigada à berklee college por reconhecer nosso trabalho e homenageá-lo por meio de um tributo como o the berklee paramore ensemble. definitivamente foi o mais perto que já cheguei de me sentir aceita numa faculdade. parabéns aos estudantes pelo que parecia e soava como um show incrível. continuem tocando. “brincar” é o antídoto para o trauma e diz aos nossos corpos que podemos estar seguros. dançar, cantar, nos reunir em comunidade, por alegria, não é algo frívolo. a alegria ainda é uma causa digna porque é o que vai nos sustentar em qualquer luta que esteja por vir. estou ansiosa para ter muitas oportunidades de tocar este ano e de ser lembrada, de perto, mais uma vez, de que o poder está com o povo.

por fim, só quero dizer que meu coração está com as pessoas de minneapolis neste momento, que estão liderando pelo exemplo para mostrar ao resto da américa como o patriotismo e “amar o próximo como a si mesmo” realmente se parecem.

desculpem pelo desabafo longo, obrigada pelo tempo. vejo alguns de vocês em breve.”

Paramore Brasil
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