Zac Farro fala sobre as diferenças entre o HalfNoise e o Paramore, em nova entrevista à Noisey

A revista Noisey, uma subdivisão da Vice, enviou a jornalista Hannah Ewens em um “encontro” com Zac Farro para uma de suas colunas de entrevista.

Zac e Hannah se encontraram em Londres, em um restaurante ítalo-americano, devido às origens dos Farro, e conversaram sobre o retorno do baterista ao Paramore, as diferenças entre tocar com a banda e com o HalfNoise – grupo que Zac começou em 2011, e que conta com Logan Mackenzie, Joey Mullen e Joey Howard, membros de turnê do Paramore, em sua composição –, Dia dos Namorados, comida italiana, Nashville e despedidas de solteiro.

Confira, abaixo:

Um primeiro encontro em um (quase) barco com Zac Farro do Paramore

Eu, uma grande fã de Paramore, entrei em um barco falso em um restaurante e tomei coquetéis com o homem e músico por trás da HalfNoise

Durante todos os meus primeiros encontros, eu me lembro de ter ficado lendo nas entrelinhas o que uma pessoa queria dizer para ver se nós combinávamos. Interesses, passatempos, visões de mundo, o fato de que vocês dois usam  muito a palavra “tipo” como um marcador conversacional inútil quando vocês conversam, e o fato de que vocês dois escreveram fanfics sobre O Senhor dos Anéis quando vocês eram adolescentes. Essas coisas.

O álbum “Brand New Eyes”, do Paramore, é um dos meus álbuns favoritos na vida. Eu estive obcecada por ele desde o início da minha adolescência até o período constrangedor e bagunçado de crescimento para a vida adulta. Ele já fazia parte da minha paisagem interna pessoal. Isso já era um bom motivo para acreditar que eu e o baterista da banda, Zac Farro, namoraríamos um dia.

Para alguém que já esteve dentro e fora de uma banda de sucesso astronômico – ele e seu irmão, Josh Farro, antigo guitarrista principal, saíram do Paramore em 2010, e Zac retornou no ano passado – é estranho que só existam pequenos vestígios online sobre ele. Enquanto membro de banda, ele não é o ponto de foco das entrevistas do Paramore, e ele não compartilha muitas coisas nas redes sociais, preferindo publicar apenas suas fotografias e falar sobre “The Real World” (MTV).

Dessa forma, eu mesma trago algumas informações: Zac Farro atualmente mora em Franklin, Tennessee, onde o Paramore começou (ele também morou por um tempo na Nova Zelândia). Ele era o mais novo da banda e começou a participar de turnês com ela quando tinha apenas 14 anos. Ele ama o The National e o Radiohead. Depois do Paramore, ele começou seu próprio projeto, o HalfNoise, uma fusão de indie rock que é particularmente ensolarada e fresca, um pouco viajada e psicodélica – diferente mas complementar ao novo álbum do Paramore. É como se o Tame Impala e o The Beach Boys fizessem músicas no estilo synth-pop, com um visual estético retrô que é muito a cara do Zac. Apesar de ter se juntado ao Paramore de novo – ele disse desde o começo que retomar a amizade com a banda era de importância gigantesca para ele –, ele também está em turnê e continua escrevendo com o HalfNoise. Isso pode parecer intenso, mas depois de conversar com ele, eu entendi que o senso criativo existente nisso o deixa feliz.

Nós combinamos de nos encontrar em um restaurante italiano chamado Bunga, porque os Farro são ítalo-americanos. Aparentemente, na parte de baixo tem um barco, e eu estava certa de que ele amava “A Vida Marinha com Steve Zissou”, então ocorreu tudo muito bem. Eu adorei conhecer e conversar com o Zac; ele é divertido e muito alto-astral mesmo quando está falando sobre algo miserável. Ele dá respostas grandes e interessantes que chegam em outros assuntos, e é legal ver alguém se estender dessa forma.

Não me pergunte como chegamos na primeira pergunta, porque foi antes que eu conseguisse ligar o gravador, mas nós estávamos falando sobre despedidas de solteiro.

Noisey: Você já participou de muitas despedidas de solteiro?
Zac Farro: Eu fui para algumas quando estava na Nova Zelândia, onde eu costumava morar. Meus irmãos foram para uma delas e fizeram o noivo colocar um… como é o nome daquela coisa que o Borat veste?

Noisey: Mankini.
Zac Farro: Isso. Eles encheram aquela parte de baixo com gelo seco, ou Tiger Balm, ou qualquer nome que você dá pra isso, aquilo que relaxa seus músculos mas te deixa com muito frio e calor ao mesmo tempo. Eles encheram a parte toda do pênis com isso. Ele teve que andar usando isso na frente de todo mundo. Acho que aqui nos Estados Unidos, o que o pessoal mais faz é ir para clubes de strip. O que eu acho horrível. Será que devemos pedir um coquetel grande ou dois?

Noisey: Vamos pedir dois cada um, é noite de segunda-feira.
Zac Farro: É segunda-feira?

Noisey: É sim. Você viu aquele coquetel no formato de Torre de Pisa, que serve para 10 pessoas? Esse é um restaurante italiano, você é ítalo-americano, certo?
Zac Farro: Ah, sim, isso é demais. Esse lugar é muito legal. Tem um lugar em Nashville que lembra esse aqui. Ele provavelmente não passa por uma reforma desde os anos 80 – já esse lugar parece que se esforça. Eu acho muito chato que estejam vendendo o de Nashville, ele está ficando ultrapassado por causa dos prédios e apartamentos e condomínios ao redor.

Noisey: Como é Nashville? Eu tenho essa imagem pitoresca na minha cabeça por causa de tudo que já li nas entrevistas do Paramore.
Zac Farro: Se você tivesse que ir sozinha para Nashville, arrumar suas malas, você ficaria tipo, “esse é o pior lugar que eu já visitei”. Mas é uma cidade que continua crescendo e agora é uma das mais movimentadas dos Estados Unidos. Pessoas de Nova York, Los Angeles e Chicago estão todas se mudando para lá porque tem essa vibe que acho que Nova York e LA costumavam ter. Quando eu estou em casa eu sinto que entrei no set do filme “Jovens, Loucos e Rebeldes”. E se você vai para um bar de acompanhamento musical e senta lá pra pedir uma bebida, as pessoas ficam jogando umas às outras pelos cantos.

Noisey: É isso que eu quero ver.
Zac Farro: Você vai ver mas depois você vai pensar: tem alguma outra coisa pra fazer nessa cidade?  Parece uma cidade toda construída com prédios marrons sem propósito. Se você aparecer por lá, você tem que mandar uma mensagem pra gente, ou eu te passo o contato de alguém, porque você precisa de um acompanhante por lá.

Noisey: Eu adoro sair de férias. Meus amigos são meus planejadores oficiais e eu fui com eles para Nova York e Chicago no ano passado para ver o Riot Fest.
Zac Farro: Ah legal, sim, que demais. Você nos viu tocar?

Noisey: Vi sim!
Zac Farro: O show foi muito legal, mas o festival em si lembrava a Warped Tour. Esse cenário no qual nós costumávamos tocar com o Paramore… eu tenho essa relação de amor e ódio com isso. Eu vi muitas das pessoas antigas por lá – não estou falando de forma ruim – mas eu sinto que, depois de ter deixado a banda e voltado… ainda é a mesma banda, mas parece que já se passou uma vida desde então. É uma memória do passado.

Noisey: E você era um bebê quando conheceu essas pessoas. Você tinha 13 anos quando entrou para a banda, certo? Eu não ia querer continuar amiga das mesmas pessoas.
Zac Farro: É que atualmente eu ainda sou a pessoa boba que sempre fui – mas, além disso, eu também sou uma pessoa completamente diferente. Então você meio que precisa atualizar as pessoas sobre sua vida.

Noisey: Eu imagino. Então, é quase Dia dos Namorados.
Zac: Na América, o Dia dos Namorados é muito superestimado.

Noisey: Sério?
Zac Farro: Se você está namorando, é bom você aparecer e fazer algo imaculado. Alguns anos atrás, quando eu tinha 19 anos, eu estava me sentindo preso e eu fiz um jantar porque sentia que precisava, que, como era parte da sociedade, eu tinha que gostar. Quando provamos a comida, estava horrível, e eu tive que dizer que estava boa. Eu queria fazer outra coisa, estar com meus amigos ou algo assim. Eu amava minha namorada, acho que foi uma das únicas pessoas na minha vida que eu amei, então não era ruim estar com ela, mas eu sentia que era uma obrigação. É como quando sua mãe faz você participar de uma festa de aniversário que você não quer. Eu me sentia preso.

Noisey: Então você prefere um encontro mais tranquilo.
Zac Farro: Eu odeio ser essa pessoa, mas isso acontece naturalmente. Foi por isso que aquele jantar deu errado. Quando é forçado, você tem que ser um bom acompanhante, levar rosas e chocolate. É como se fosse uma obrigação. Não que eu não faça sacrifícios às vezes, porque isso também é parte de um relacionamento, você tenta ser o menos egoísta possível. Espera, esqueci onde eu pretendia chegar com isso. Desculpa, preciso perguntar. Qual era a pergunta?

Noisey: Tudo bem! Dia dos namorados, aniversários…
Zac Farro: Acho que é isso que eu tento fazer na minha vida, de modo geral: não forçar as pessoas. Eu costumava fazer isso, especialmente em relacionamentos. Eu dizia, ‘Eu sou tão bom nisso, eu sou tão bom naquilo’, e eu me forçava para ser quem não era só para a outra pessoa gostar de mim, ou dessa caricatura minha. E depois eu ficava meio, ‘Merda, eu não sou essa pessoa, eu só estou tentando te impressionar’. Essa fachada de ‘Eu sou perfeito’. Mas, quando você faz isso, não é da pessoa verdadeira que as pessoas estão gostando.

[Os coquetéis chegam] 

Zac Farro: Eu tenho que tirar uma foto. Eu sei que já falamos sobre isso hoje, mas eu preciso tirar uma foto. [Tira uma câmera da bolsa]. Eu estou muito obcecado por isso.

Noisey: O seu Instagram é muito bonito, aliás, eu sei que é um elogio meio estranho mas…
Zac Farro: Não, é o único lugar onde eu publico minhas fotos.

Noisey: Conte-me um pouco sobre seus filmes favoritos.
Zac Farro: Obviamente, já que estou usando esse gorro [aponta para o gorro vermelho], “A Vida Marinha com Steve Zissou”, eu amo esse filme, o Wes Anderson é simplesmente incrível. Eu sinto que ele próprio já é um filme para mim. Meus diretores favoritos são Richard Linklater, Wes Anderson e Sofia Coppola. Eu gosto dos filmes de “Antes do amanhecer”, você já viu?

Noisey: Ai meu Deus, eu amo esses.
Zac Farro: Acho que eles são meu top cinco.

Noisey: Para combinar com seu filme favorito: que tipo de comida italiana sua família costuma fazer?
Zac Farro: Meu pai é muito bom em fazer fogazza. Ele também faz um Stromboli muito bom. Eu não posso comer porque eu sou vegetariano, e ele faz com pepperoni. Mas acho que dá pra fazer um com vegetais, eu não tinha pensado nisso antes. Quando eu estava crescendo, meu pai costumava cozinhar e era sempre épico. Ele fazia almôndegas e macarrão antes, mas agora ele simplesmente não liga. É tudo comida embalada agora… que coisa, cara! Ele costumava fazer frango com redução de vinho e tudo, agora é tipo, “olha aqui um cheeseburger”. Eu chamo meus amigos para jantar em casa porque ele é muito bom na cozinha e aí eles chegam em casa e ele acabou de voltar do Costco.

De alguma forma, entre os coquetéis e o Costco, a conversa foi parar em café e freelancers usando cafeterias como área de trabalho.

Nosey: Então você quer que as cafeterias voltem a ter a origem romântica original. Pessoas criativas, artistas tendo discussões intelectuais tomando café; essa coisa toda de derreter o cérebro.
Zac Farro: Eu quero que tudo seja romântico. Eu romantizo tudo. Veja meus filmes favoritos. Eu acho que isso é quase um problema. É por isso que eu sinto que nasci na época errada. Na era moderna, quando você está namorando, por exemplo, você troca mensagens o tempo todo, tipo, ‘ah, acabei de fazer isso ou aquilo’. Não há mágica nisso mais. Eu sei que já falei sobre isso antes, mas é o que eu quero. É por isso que eu amo tocar com o HalfNoise. Eu amo o Paramore também, eu me sinto muito grato por ser amigo deles novamente. Mas com essa banda menor, nós gostamos de ficar de estadia no Airbnb, nos encontrando de vez em quando, tocando juntos, não tem agente de turnês. Ainda há uma mágica nisso.

Noisey: O Paramore te deixa livre para fazer o que quiser com a HalfNoise?
Zac Farro: Sim. No início de 2016, eu tive essa conversa comigo mesmo. Eu pensei, ‘Esse é meu último ano com a HalfNoise porque eu acho que preciso procurar um emprego e começar a trabalhar.’ Já fazia seis anos desde que eu havia saído da banda, e como eu trabalhei muito desde os meus 14 anos eu guardei muito dinheiro para comprar uma casa e viajar e foi muito legal morar na Nova Zelândia. Mas depois de um tempo eu fiquei tipo, ‘ok, mas eu preciso começar a juntar mais dinheiro, trabalhar’, eu não acho que começar uma banda atualmente nessa idade e ficar em turnê, em turnê e em turnê – como todas as bandas que nós crescemos ouvindo – funcione mais.

Noisey: Mas tudo ficou bem no fim.
Zac Farro: É realmente tudo muito especial e eu não faço pouco caso disso.

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Larissa Stocco

They may be hard times, but at least they're neon ▪ Instagram: @laristocco