Em entrevista para a Stereogum, Hayley Williams comentou sobre o passado do Paramore e porque ela nunca achou que a banda estivesse inserida no gênero emo ou punk.

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A interprete de “Dead Horse” ainda fala sobre como foi lançar parcerias de sucesso como em “Airplanes”, com B.o.B. e Eminem, e com Taylor Swift, em “Bad Blood” e esclarece os motivos que fizeram ela recusar colaborações de peso tanto como artista solo quanto como banda.

É dificil acreditar que o novo álbum de Hayley Williams, o Petals For Armor, vai ser o seu primeiro trabalho solo. Ela se encontra nos holofotes desde o All We Know Is Falling, primeiro álbum da carreira do Paramore, que foi lançado há 15 anos quando ela tinha apenas 16. Muitos de nós crescemos com a artista de Nashville, gritando em “Pressure” e cortando as franjas no espelho do banheiro.

O estilo de Williams está constantemente mudando, assim como sua voz. Em paralelo, Petals for Armor e All We Know Is Falling soa como se tivesse sido escrito por uma pessoa diferente. E talvez foi isso que aconteceu. O Paramore dos anos 2000 existiu numa cultura de adolescentes raivosos que iam para a Warped Tour. Em 2007, Riot! começou a estabelecer sua presença no meio pop punk com o grande sucesso de “Misery Business”. O próximo single que entrou nas paradas, o “The Only Exception”, aconteceu no álbum seguinte, o Brand New-Eyes de 2009. No período que Paramore lançou o autointitulado, eles já tinham abandonado o “punk” do gênero. Com o passar dos anos, “Ain’t It Fun” dominaria a maioria das estações de rádio e correria para ganhar o Grammy de Melhor Música de Rock, em 2015.

STEREOGUM: Eu tenho certeza que há uma grande expectativa com o novo álbum sendo lançado durante essa quarentena.

HAYLEY WILLIAMS: Estou orgulhosa que não adiei o lançamento. Eu tinha que colocar isso para fora do meu corpo. Eu estava ansiosa para que isso acontecesse.

STEREOGUM: E ter isso nesse período isso vai significar muito para seus fãs.

WILLIAMS: Eu estava conversando com meus amigos sobre lançar álbuns durante esse período. É uma montanha russa constante porque você se sente culpada pois isso é um sinal que você está lidando bem com essa situação e se sente privilegiada, ou um tanto quanto culpada. Mas por outro lado, não precisamos mais do que nunca de arte nesse momento?

STEREOGUM: Existe algum tema no álbum que você acha que vai combinar com o período que estamos vivendo?

WILLIAMS: Espero que sim. Eu vivo numa constante batalha com minha mente, como todo ser humano… Eu não acho que meus problemas são tão especiais assim então eu espero que as pessoas se identifiquem, e essas músicas possam ser um conforto onde quer que elas estejam. A história do álbum vai de uma escuridão raivosa para algo mais esperançoso. Obviamente, nós não estamos tão esperançosos assim, mas eu acho que isso vai aparecer em alguns momentos. Eu sempre estou tentando me agarrar nisso.

STEREOGUM: Recentemente você fez um cover de “Don’t Start Now”, da Dua Lipa. Ano passado você e Kacey Musgraves fizeram um cover incrível de Cindy Lauper. Você pode falar um pouco sobre os artistas que inspiraram o álbum e quem você estava ouvindo enquanto criava essa obra?

WILLIAMS: Esse álbum foi uma surpresa para mim e também foi surpresa as influências que apareceram. As coisas que consigo ouvir quando ouço as canções são realmente encorajadoras para mim. Eu ouço muitos artistas que admiro. Eu ouvi Solange, Radiohead, Bjork, SZA… uma banda que eu estou obcecada é Mr Twin Sister. Eu conheci eles através de Joey [Howard], o baixista do Paramore que compõe muito comigo. Eles são de Nova Iorque… eles são um pouco punk e ótimos para dançar em casa.

Eu ouvi muito Phil Collins, Peter Gabriel, Tribe Called Quest… tudo, tudo, James Blake… Eu ouvia tudo. Quando era mais jovem eu amava bons cantores e músicas R&B. Whitney Houston e Janet Jackson. Minha mãe amava Black Sabbath. Então eu me mudei para Nashville e conheci os garotos. Recentemente eu adicionei uma playlist no meu Spotify com as músicas do primeiro CD que Zac [Farro] fez para mim. Tem Failure e… “You Will Know Us” de The Trail Of Dead.

STEREOGUM: Vamos voltar 10 anos para o mega hit “Airplanes”. Você pode falar sobre a experiência de estar envolvida num sucesso tão grandioso?

WILLIAMS: Foi um período bem louco. Eu fui convidada para cantar nessa música quando ela era do Lupe Fiasco. E eu era muito fã, achava os álbuns dele incríveis. Ele tinha essa vibe meio Tribe Called Quest. Eu gravei os vocais no estúdio do Jim Henson em Los Angeles. Eu tinha 19/20 anos quando tive acesso aquela demo. Nós estávamos tocando no Hammerstein Ballroom em Nova Iorque e alguém da Atlantic me mostrou. Eu toquei para os garotos e eles ficaram tipo, “Meu Deus!”.

Tenha em mente que o Paramore não estava indo bem no nível pessoal naquela época. Nós não estávamos nos entendendo, mas todos eles falaram “Isso é incrível. Você deveria aceitar”. E eu “Uau! Ok!”, eu pensei que aquela era um oportunidade muito boa e que eu nunca pensei que teria. Então eu gravei os vocais e depois a gravadora me disse, “Ei! Nós vamos dar essa música para um artista novo chamado B.o.B. e Eminem vai fazer um verso.” Eu pensei “Caralho, o que é a minha vida?” eu topei na mesma hora e sou muito feliz por ter feito parte disso. Foi tão bizarro. Paramore tinha lançado o Brand New Eyes aquele ano e então era uma fase mais rock para a banda, mas as vezes você tem que tentar algo novo.

STEREOGUM: Recentemente você recusou uma colaboração com Lil Uzi Vert porque você disse que não queria ser “tão famosa”. Como o seu entendimento como artista e uma colaboração mudou com o passar dos anos.

WILLIAMS: Eu vi que muitas pessoas ficaram chateada comigo por causa disso e aí pensei, “Poxa, se eles soubessem todos os outros artistas que eu recusei colaborar eles estariam irritadíssimos comigo”. O problema é que quando falo às pessoas sobre recusar estas oportunidades, elas encaram-nas como um desrespeito em vez de algo que reflita mais o meu ponto de vista. Eu segui meus instintos com tudo que fiz com o Paramore. Paramore também já recusou varias oportunidades insanas. Mas eu acho que um não pode ser tão lucrativo quanto um sim. Eu acho que você tem que saber exatamente quem você é e se em algum momento você se questionar isso, então você tem que seguir o próximo instinto e defender firmemente essas decisões.

Eu defendo firmemente o fato de ter recusado a oferta do Uzi. Ele é um doce de pessoa e não teria problema algum fazer uma música com ele. Mas no fim do dia, eu não quero ser o tipo de artista que as pessoas postam tweets o tempo todo. Eu quero que as pessoas se conectem com a minha música. Isso não é desrespeitoso a ninguém. Eu sei como o jogo funciona quando um álbum é cheio de colaborações. Eu só quero poder fazer as minhas próprias coisas e se algum dia algo aparecer e eu achar que devo fazer, então eu farei. Mas caso contrario, eu tenho que seguir meu instinto e no caso do Uzi eu não estava bem mentalmente no período. Paramore precisava de uma pausa longa. Eu não posso dizer sim para tudo.

STEREOGUM: Qual foi o maior artista que você disse não, ou a maior oportunidade que você sabia que não era a decisão correta a se fazer?

WILLIAMS: Eu não consigo lembrar de todos. Eu sei que Paramore já teve várias ofertas de turnês gigantes com diferentes bandas de cenas especificas da música que nós sentíamos que queríamos transcender. Então não aceitamos essas oportunidades — novamente, não é por desrespeito, mas porque nos conhecíamos e sentíamos não nos alinhar com onde pensávamos que a turnê nos levaria. Mas eu me lembro muito bem de quando fiz 18 anos… lembra daquela revista “Blender”?

Blender era algo enorme quando eu era adolescente. Era uma revista muito sexy e você sempre via alguns grande artistas do pop ou do rock que você nunca imaginou ver de uma forma tão sexy. Você sempre via eles estampados na capa vestindo algo bem sensual e mostrando muita pele, bem suados e tal. Assim que fiz 18 anos eu tive a oferta de ser a capa dessa revista e eu nunca tinha estado numa capa que não fosse a da Kerrang!, uma revista alternativa.

Teve uma parte de mim que, como uma garota jovem que estava virando uma mulher, pensou, “Bem, eu quero me sentir sexy. Eu quero crescer. Eu quero que as pessoas saibam que eu não serei essa criança adolescente que fica batendo a cabeça no palco” mas eu acho que uma das melhores coisas que eu tenho é que eu sempre olho tudo de forma muito ampla. E então, quando eu tive essa oferta, eu me imaginei com a idade do Thom Yorke ou da Bjork olhando para aquela capa sexy do momento que fiz 18 anos e pensei, “isso não vai acrescentar nada para a banda, isso não vai acrescentar nada para a nossa música.”

Mais tarde eu acabei fazendo a capa da revista Cosmo e eu fico muito feliz de ter feito aquilo. Eu tenho certeza que eles suspenderam meus seios um pouco. Eu me achei bonita, sabe? E eu me lembro de ter aceitado aquela oferta logo quando Josh e Zac pediram demissão da banda. Eu nem sabia se a banda ia continuar. E então pensei, “Bem, que se dane. Vou fazer a capa dessa revista porque, sabe? talvez isso seja um sinal de que eu deva continuar trabalhando”. E foi até meio estranho eles terem me oferecido aquilo. Nós eramos uma banda de rock e eles não costumavam ter esse tipo de gente na capa da revista com muita frequência. Eles fizeram eu me sentir bem confortável, Eles não foram rudes, foram respeitosos. Eles nunca fizeram eu me sentir objetificada, Mas eu ainda me senti objetificada quando me vi na capa. Eu pensei, “Bem, não farei isso novamente.

STEREOGUM: Quais são as lembranças dessa época que moldaram e influenciaram o tipo de trabalho que você está fazendo agora?

WILLIAMS: Eu estava num relacionamento muito doentio e eu acho que aquilo influenciou muito as decisões dos meus 20 anos. Eu escrevi muito sobre isso no Petals For Armor porque realmente levou uma década da minha vida para eu entender as escolhas que fiz. Eu não estava completamente formada como um ser humano quando eu comecei a tomar essas decisões para a minha vida. E quando você esta no holofote ou quando você tem qualquer montante de sucesso com o público, essas coisas ficam gravadas como se fossem um livro de história na internet ou em qualquer outro lugar. Eu estava apenas experimentando umas coisa, “agora eu vou cantar nessa música de hip-hop, agora nessa de pop. Vamos ver onde isso vai dar.” Eu diria isso mais tarde quando fiz a faixa com o Zedd, foi uma decisão completamente consciente e eu escrevi uma parte da música. Então aquela experiência, mesmo sendo diferente do Paramore, ainda pareceu como algo meu.

STEREOGUM: Você está no vídeo da Taylor Swift para o remix “Bad Blood”. Qual foi a vibração no set?

WILLIAMS: Acho que claramente podemos perceber que eu não me encaixo ali. Foi muito legal. Eu tive que fazer coreografia para a cena da luta, mas depois eles trouxeram uma dublê para as coisas que eu não pude fazer. Eu me senti como se estivesse num mundo que eu não pertencia. Me senti assim sempre que o Paramore fazia algo que era muito sucesso. Tipo quando fomos pro The Voice. Primeiramente, nós aproveitamos muito essas oportunidades porque, “Cara, sim. Vamos tocar nossa música na televisão”. É insano.

E queríamos que as pessoas ouvissem nossas músicas, mas não nos encaixamos naquele mundo. E eu acho que existe um pouco de orgulho nisso porque mesmo quando tocamos num festival de punk, nós também não nos encaixamos. Sempre tentamos marchar ao ritmo do nosso próprio tambor e encontrar nossas influências e inspirações no caminho e trazer isso para as coisas que estamos fazendo.

Mas quando eu entrei no estúdio para “Bad Blood”, eu pensei, “Merda, não tem como voltar”. Eu não sei. E Taylor foi tão fofa comigo. Nós começamos a passar tempos juntas depois do que aconteceu com Kanye. Eu não a conheço tão bem no momento, mas quando nós duas morávamos em Nashville ela vivia na minha casa. Era muito bom conhecer alguém que fazia algo parecido com o que eu fazia. Musicalmente nós não somos tão compatíveis assim, mas estamos na mesma indústria que, especialmente naquela época, era um mundo diferente para as mulheres do que ainda é hoje. E não estou dizendo que já é perfeito, mas acho que estamos aprendendo a encontrar camaradagem com outras artistas femininas.

STEREOGUM: Você e Taylor já performaram “That’s What You Get” juntas também.

WILLIAMS: Ela estava fazendo aquela turnê Speak Now. Acho que era a primeira turnê dela em grandes arenas e eu estava na cidade, Paramore estava em pausa. Ela falou, “Você toparia subir no palco e cantar?” Eu não sabia que a cada noite ela fazia um cover diferente, que agora é uma parte importante das turnês dela, ela traz amigos que tem músicas de sucesso e tal.

Mas foi muito surpreendente para mim porque eu não pensei — quer dizer “Misery Business” estava sendo um sucesso naquela época, mas eu não imaginava que tantas crianças sabiam cantar That’s What You get. E foi tão divertido fazer aquilo. Ela é uma pessoa muito doce e esta dura indústria da música já tentou mastigá-la e cuspi-la mil vezes. E eu acho que ela sempre conseguiu alcançar o topo porque ela é uma ótima compositora e uma ótima artista. E eu acho, sim, que ela é uma boa pessoa, sabe?

STEREOGUM: Você se surpreendeu quando “The Only Exception” fez tanto sucesso que chegou a aparecer em Glee e Dancing With The Stars?

WILLIAMS: Eu tinha esquecido que fez parte de Glee. Digo, não é muito estranho que a música está no meio do Brand New Eyes? Eu não sei como aquela música apareceu no meio daquilo tudo, mas sim, aquilo foi bem louco, uma loucura quando eramos muito novos. Naquela época, “Misery Business” tinha sido nossa maior música, então mesmo a gente já estando consolidados, não importa em qual lugar, “The Onlu Exception” trouxe a gente para os olhos do público.

Foi legal porque mesmo aquela música sendo muito, muito pop, eu acho que ali foi o momento que começamos a ver a nossa base de fãs crescer e se diversificar. Esse foi o último grande single que tivemos até Taylor e eu escrevermos o disco auto-intitulado. “Only Exception”, e o tipo de pessoas a quem essa música foi apresentada à nossa banda, foi uma estranha cartilha para outras músicas que aconteceram como “Ain’t It Fun” e “Still Into You”.

STEREOGUM: Recentemente você fez uma música com Boygenius. Como isso aconteceu? Você já acompanhava elas?

WILLIAMS: Eu sou muito fã de cada uma delas individualmente e também do álbum que elas lançaram como Boygenius. Eu acho que foi um dos melhores daquele ano. Eu me sinto muito sortuda em minha posição na banda, e por fazer shows em vários festivais eu consigo conhecer tanta gente que admiro. E é mais divertido ainda quando essas pessoas tem mais ou menos a mesma idade que eu.

E quando elas são mulheres existe tanta coisa em comum para conversar e tanto ouro para encontrar, tantos conselhos para dar e receber. É muito bom. Eu acho que talvez seja porque por muito tempo as mulheres da indústria se sentiam como se estivessem as colocando uma contra as outras. Eu acho que ainda há muito disso e estamos lutando para perceber que estamos nisso juntas e estamos aqui para apoiar umas as outras, então sempre que você puder colocar isso em mente, é muito bom. É muito confortante você se sentir parte de um clube que consegue sentar com outras mulheres e compartilhar suas paixões.

Eu compartilho as mesmas paixões que Julien Baker, que compõe sobre coisas que eu não componho e que canta de um jeito que eu não canto e cuja experiências de vida são tão diferentes das minhas. Mas nós compartilhamos as mesmas paixões quando falamos em criar músicas. E há muita coisa em comum também, tanto que isso fez ela uma das minhas melhores amigas. Ter elas em uma das minhas músicas foi um honra. As vezes eu nem acredito porque, cara, o que eu fiz para ter esse tipo de merecimento… Elas são tão talentosas e a harmonia das vozes delas são… elas chegam lá e fazem. Criaram o BoyGenius e aquilo ficou incrível.

STEREOGUM: Você pegou algum conselho com elas?

WILLIAMS: Julien foi uma das razões pela qual eu pensei, “Sim, por que não fazer mais músicas mesmo estando de férias?? Mesmo o Paramore tirando um tempo livre? Por que não?” Estávamos falando sobre como os artistas que parecem mais felizes são os que fazem o que querem.

Até os Beatles, que é a maior banda de todos os tempos, tiveram projetos fora dos Beatles. Você sabe que se Paul McCartney pode começar uma banda e depois lançar material solo então eu tenho certeza que outros artistas que estão em outras bandas podem se aventurar e fazer outras coisas também. Não é necessário acabar a coisa principal para começar outra. E para mim, Paramore é o principal, mas nós estávamos de férias e eu estava passando por tanta coisa e ela me inspirou em deixar a onda me levar pra onde quer que ela tivesse que me levar.

Quando eu me encontrei com ela num show da nossa amiga Becca Mancari, eu falei “O que você tem feito? Faz tempo que não lhe vejo. Eu queria que você cantasse numa música que eu escrevi.” É sobre mulheres apreciando nossas singularidades e nossas diferenças e lutando contra qualquer forma de comparação. Eu pensei “nossa, eu ia amar que outra amiga fizesse parte disso” e ela falou “Oh Meu Deus, a Lucy está aqui também”. Então Lucy apareceu do nada e disse “Sim, eu quero fazer isso” e “Phoebe chega amanha” e foi lindo. Foi algo que tinha que acontecer, sabe? E eu sou muito grata.

STEREOGUM: Você e Julien fizeram um cover da mesma música do Jawbreaker, “Accident Prone”. As duas versões são lindas. Você pode me dizer a sua conexão com aquela era da música emo e como aquilo lhe influenciou?

WILLIAMS: Eu acho que essa era emo e punk é na verdade algo que ressoa de forma muito difícil para mim. Eu não me identifico com a minha geração de emo. Eu nunca entendi, mesmo fazendo parte daquilo. Era como se eu estivesse no meio, fazendo shows e tudo, mas eu ouvia bandas que eram mais velhas ou que não estavam mais juntas. E foram eles que inspiraram a gente. Sunny Day Real Estate não era mais uma banda quando conhecemos eles. Até bandas como Fugazi, que para mim que são deuses, tem uns álbuns tão incríveis que começam de algo punk e vão para algo tao diferente e novo com uma pegada mais emocional.

Eu gosto de pensar na música que veio depois, como na era do Sunny Day… guitarras cintilantes e bateria pesadas como o American Football e até o início do Jimmy Eat World e Braid. Essas coisas tem um lugar especial no meu coração mesmo eu não fazendo mais sons parecidos com isso. Eu acho que Paramore chegou a fazer algo parecido por um momento. Mas sabe? sai da gente de formas bem diferentes.

STEREOGUM: Então gravar “Uncomfortably Numb” com American Football foi um sonho se tornando realidade?

WILLIAMS: Cara. Sim. Eu disse ao nosso empresário quando recebi a mensagem de um dos garotos sobre a música. Eu era muito obcecada por eles e o álbum que eles lançaram em 2017. O álbum estava para ser lançado no período que eu descobri que precisava me divorciar. Parecia que eles escreveram isso sobre mim, mesmo que parecesse algo tão deles… mas eu senti que importava tanto para mim e aquilo se tornou uma comparação inevitável. Eu não consegui me conter em falar sobre eles o tempo todo. E eu acho que quando eles estavam compondo esse novo disco eles pensaram “Bem, nós sabemos que você é uma grande fã, mas nós também temos a música que achamos que você se encaixa muito bem”.

American Football tem um jeito tão lindo. Eles compõem de forma tão linda. Há partes que se sentem assertivas e há partes que se sentem simples. Eu disse ao meu empresário que eu não sei quantas colaborações eu irei.. eu não sei se estou no mesmo lugar que eu estava antes, um lugar onde eu vou querer fazer uma colaboração com uma banda desse gênero novamente. Nós viemos desse mundo e eu devo muito a isso, mas eu acho que seria ótimo eu não fazer mais colaborações com bandas do cenário emo novamente, mas essa banda… Isso foi o fim para mim e para o emo, e essa banda é muito essencial para mim.

STEREOGUM: Como você se sentiu quando o Warped Tour foi cancelado? Você mencionou que nunca conseguiu totalmente o tipo de atenção que você queria estar mais associada.

WILLIAMS: Bem, antes de mais nada, sempre senti que isso não era algo que eu deveria dizer em entrevistas ou aos fãs, porque não quero que as pessoas pensem que eu me sinto melhor do que qualquer outra pessoa. Não quero que as pessoas pensem que Paramore anda por aí com o nariz no céu porque não é isso. Temos muitos amigos que fazem música muito diferente de nós. E acho que foi mais a forma como a imprensa lidou com a nossa banda e a forma como eles eram sensacionalistas conosco – especialmente por ser uma mulher, fazendo parte deste cenário, sabe, como agrupar-nos com bandas que eu não pensei que soassem como nós.

Eu também senti que, bem, eu não sei, é só porque tocamos no Warped Tour? Porque eu me lembro de uma época – há cartazes da Warped Tour onde estão bandas de hip-hop, bandas punk e hardcore e bandas emo. Eu só senti que era um lugar que era uma mistura cultural. E era para pessoas que se sentiam marginalizadas ou não conseguiam encontrar a sua banda favorita. Eles não podiam simplesmente ir ver a sua banda favorita em qualquer clube ou em qualquer dia. Era especial.

Mas, olhando para trás, existia muitos maus hábitos. Eu vi e aprendi muito e acho que internalizei muito também… Acho que era sensação geral de estar naquele mundo e estar um pouco isolada no meu próprio corpo. Estou orgulhosa por termos feito. Trabalhamos duro, comemos de frascos de manteiga de amendoim. Não comemos muito e fizemos muito com pouco – especialmente naqueles dois primeiros anos da Warped Tour – e crescemos a partir disso.

Mas quando acabou, senti que estava na hora. Quando li isso, fiquei tipo: “Sabe de uma? Que bom”. Porque já estava muito distante daquilo que era quando começou. E havia muita controvérsia a cada ano daquela turnê, especialmente entre homens e mulheres e alegações sexuais. Senti que… Ainda bem que não fazemos parte desse mundo há algum tempo. Estou contente por termos acabado de nos mudar para outra coisa e estou contente por ter significado o que significou para nós quando significou. Isso faz sentido?

STEREOGUM: Recentemente revisitei a trilha sonora de Garota Infernal. São todos artistas da Fueled By Ramen. É como uma cápsula do tempo. A sua música nessa trilha sonora, “Teenagers”, é tão boa e não a consigo encontrar no Spotify.

WILLIAMS: Bem, acho que você tem que comprar a trilha sonora toda para conseguir.

STEREOGUM: Acho que terei que fazer isso!

WILLIAMS: Eu adoro essa música. Essa música deveria estar nos créditos [do filme], mas a nossa banda estava tão mal na época que eu me sentia um pouco rígido e me senti como, “Ah, não vale a pena“. O Josh e eu tínhamos sido parceiros de composição durante alguns anos, ou mais, nessa altura. E eu escrevi isso sozinha, coloquei alguns palavrões e ele tinha opiniões muito diferentes sobre como Paramore deveria ser. Isso era só eu a afirmar as minhas. Honestamente, estávamos todos enlouquecendo. Estávamos todos no fim e me ofereceram o crédito final, o que achei muito excitante porque adoro esse tipo de filme.

De qualquer forma para os produtores da SXSW. Sentei no lobby de um quarto de hotel e toquei aquela música. Eles disseram: “Sim, nós queremos usá-la.” Mas depois liguei para eles uma semana depois e pensei: “Ei, sabe, as coisas não estão boas no mundo do Paramore. Fica com a canção. Mas tipo, não faça ela se tornar uma grande coisa.” Paramore era a minha família e essa sempre foi a minha prioridade.

STEREOGUM: Você foi um personagem no Guitar Hero. Foi estranho se ver como um avatar de videojogo?

WILLIAMS: Sim, isso foi tão legal. Essa foi uma das experiências mais loucas que já tive que fazer que tem muito pouco a ver com música, mas eu nunca teria feito se não entrasse no mundo da música. Eles me convidaram em Burbank e eu fui para o estúdio da EA e vesti a roupa de captura de movimento e eles me fizeram tocar “Misery Business” da mesma forma que eu faço nas turnês. E então eles me capturaram outros movimentos para os jogadores, como quando eles ganham ou quando perdem. Oh cara, foi tão legal. Eu realmente pensei que era algo que eu gostaria de fazer novamente, mas foi apenas aquela oportunidade. Eu realmente não acho que esse tipo de coisa venha à tona com tanta freqüência. Isso é super especial.

STEREOGUM: Você joga?

WILLIAMS: Não mesmo. A minha mãe adora videogames e tem pedido para eu jogar com ela durante a quarentena, mas tenho que arranjar um novo console. Estou debatendo se quero voltar a ter um PlayStation ou se quero ter um Switch para poder jogar este “Animal Crossing K-hole” com todo mundo.

STEREOGUM: Em 2015, você tinha uma série de beleza na internet chamada Kiss Off. Como que esse projeto surgiu? A maquiagem foi sempre uma paixão sua?

WILLIAMS: Eu continuo esquecendo todas essas coisas e fico tipo, como você sabe disso? [Risos] Começamos isso porque Brian [O’Connor] e eu sabíamos que lançaríamos nossa empresa de produtos e tintura de cabelo, que na época eram apenas cinco cores semi-permanentes. Eu disse a Brian: “Você e eu fazemos visuais o tempo todo para o palco. Criamos estilos de cabelo que as pessoas imitam. Deveríamos fazer algo para colocar seu rosto lá fora comigo.

Ele faz esses ótimos visuais punk e não tem medo de tentar coisas que são conceituais e não necessariamente sobre ser bonita. É mais sobre a atitude ou o conceito que ele está colocando lá fora. E eu pensei que isso também era uma coisa muito boa para promover e mostrar às pessoas que gostam … às vezes você tem que abraçar a ideia de que a beleza não tem nada a ver com os contornos do seu rosto. Tem a ver com o personagem que você deseja ser hoje ou como realmente se sente e como reflete isso em sua aparência, como expressa suas emoções através de seu estilo ou de suas roupas, de seus cabelos. Kiss Off foi uma maneira muito legal de começar isso.

STEREOGUM: Quais são alguns dos seus looks de beleza favoritos da história da música ou do mundo da música recentemente?

WILLIAMS: Facilmente Missy Elliott. “Supa Dupa Fly.” Muito bom. Esse foi um momento que nunca esquecerei. Eu provavelmente tinha oito anos. Não me lembro exatamente. Só me lembro de que eu tinha um cérebro muito jovem e estava assistindo à MTV escondida porque não tinha permissão na época. E ela apareceu na minha TV e eu fiquei tipo: “Eu quero ir morar em qualquer planeta em que ela mora, onde quer que ela esteja é onde eu pertenço. Eu não pertenço ao Mississippi. ” Na época, também tínhamos coisas como Aaliyah e TLC, mulheres bonitas que usavam coisas que desafiavam a norma. Quero dizer, elas eram obviamente sexy, mas usavam muitas roupas grandes.

Essa é uma coisa que eu absolutamente gosto em Billie Eilish. Ela literalmente me lembra de ser uma criança, vendo Mary J. Blige, parece que ela viveu isso e é loucura, porque obviamente ela é muito mais nova. Ela não estava presente naquela época, mas parece ser autêntico para ela. Além disso, ela meio que fez o néon ser legal novamente depois que que ele morreu um pouco. Ela meio que trouxe de volta suas raízes e agora estamos vendo isso crescer, ela continua se renovando e isso me deixa muito feliz.

STEREOGUM: Você gravou um cover de “Rainbow Connection” com o Weezer. Como era sua relação com Weezer e os Muppets?

WILLIAMS: Os caras e eu ouvimos os discos deles um pouco, como no carro indo e vindo da escola e outras coisas. Você sabe, o primeiro CD do Zac que ele fez para mim, ele colocou o cover de Weezer da música “Velouria” da banda Pixies. Essa é provavelmente a minha favorita, mesmo que não seja realmente uma música do Weezer. Eu só acho que isso me dá boas lembranças e soa tão legal.

Eu realmente não podia acreditar quando Rivers me pediu para fazer isso com ele. O Weezer era uma banda tão maior que o Paramore e parecia – não sei, foi muito legal naquele ano. Durante a era Brand New Eyes, tivemos muitos artistas de rock e punk legais e realmente grandes que nos ajudaram, como Green Day e Joan Jett. Lembro-me do sentimento da primeira vez que Mark, nosso gerente, ligou e disse: “Hey, Rivers quer saber se você quer vir cantar ‘Say It Ain’t So’ com eles no palco”. Era quase como se ele estivesse me testando ou algo assim e, em seguida, a próxima ligação foi: “Hey Weezer está fazendo este cover de ‘Rainbow Connection'”, que é uma das melhores músicas de todos os tempos. E eu fiquei realmente empolgada. Eu gravei imediatamente. Eu amo isso. Eu esqueço que fiz isso.

STEREOGUM: Você é fã de Muppets?

WILLIAMS: Sim, eu sou fã de Jim Henson, então eu fui bem geek em relação a isso. E esse filme, a trilha sonora meio que acompanhou ou saiu junto com ele. Eu pensei que era realmente um renascimento brilhante da marca Muppets.

STEREOGUM: Você pode me contar sobre os cruzeiros do Parahoy que você começou a fazer alguns anos atrás?

WILLIAMS: Oh, foram os melhores. Eu acho que os cruzeiros do Parahoy são uma das coisas favoritas de ter sido uma banda há tanto tempo. Temos a experiência que compartilhamos com os fãs de longa data, as pessoas que apoiaram a nossa banda desde que tocávamos para 300 pessoas. Ainda vemos aqueles rostos lá na frente. Estar no meio do mar com todas essas outras pessoas que conhecemos ou conhecemos mais recentemente em shows é realmente uma afirmação de vida. Não sei mais o que dizer. Eu sei que é dramático, mas quando estamos nesses cruzeiros, é tipo, “Oh, merda. O que fizemos porque gostávamos de música quando tínhamos 13 levou a um efeito borboleta até chegarmos aqui neste barco ”.

É louco. Nós fizemos três. Eu estava passando por grandes crises da vida durante os dois primeiros, e no terceiro, eu estava realmente de uma maneira boa e foi o que eu mais me senti presente e mal posso esperar para fazer isso novamente. Bem, obviamente, quando for seguro, quando as pessoas se sentirem confortáveis. Todos nós gostamos muito. Também é uma festa para as outras bandas a bordo, porque trazemos à tona nossos amigos que estão em bandas que conhecemos ao longo dos anos e todo mundo literalmente sai de férias juntos e depois faz shows.

STEREOGUM: Oh, uau. Bem, quando as coisas voltarem ao normal, será uma bela maneira de comemorar.

WILLIAMS: Sim. Você precisa ir.

STEREOGUM: Honestamente, eu irei. Bem, foi tão bom conversar com você. Há mais alguma coisa que você queira dizer sobre o álbum?

WILLIAMS: Estou apenas honrada por ainda estar aqui e por lançar outro disco.

Confira: Ouça o Petals For Armor, primeiro álbum da carreira solo de Hayley Williams

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