Hayley Williams publica texto em homenagem ao aniversário de lançamento do After Laughter

Todos nós fãs de Paramore sabemos que 2017 foi um ano importantíssimo na carreira da banda, pois se tratava do retorno prometido desde seu último trabalho, o álbum auto-intitulado, de 2013.

After Laughter, o quinto álbum de estúdio, foi fruto de várias reflexões sinceras sobre momentos que os integrantes da banda enfrentaram em suas vidas pessoais, e marcou o início de uma renovação musical do Paramore, tendo sido lançado exatamente há um ano, em 12 de maio de 2017.

E para não deixar passar essa data importante em branco, Hayley publicou em seu Instagram uma homenagem ao primeiro aniversário do After Laughter: uma mensagem manuscrita contando sobre seu crescimento e aprendizados com a produção e lançamento do álbum, a reaproximação com Zac, a importância da sua amizade com Taylor e o apoio de sua mãe, Cristi Williams.

Vocês podem conferir a publicação original e tradução completa da homenagem a seguir:

might’ve gone a lot overboard. 🌊#lifewithAL #afterlaughter

Uma publicação compartilhada por Hayley from Paramore (@yelyahwilliams) em

 

Engraçado, eu não tive que olhar no meu celular pra saber que dia era hoje. Normalmente, eu não faço ideia de qual é o dia, a não ser que eu tenha um calendário do Paramore embaixo da porta do meu quarto de hotel ou seja aniversário de algum amigo próximo. Eu to tentando melhorar nesse aspecto, porque parece a coisa mais adulta a se fazer. Mas eu sei que dia é hoje, porque hoje é um aniversário muito importante.

A essa hora ano passado, eu estava mais perdida que um ganso. Eu estava com muito medo e muito confusa. Ainda assim, eu estava muito orgulhosa porque a dor, que praticamente está prometida a todos nós, não tinha me derrubado. Pelo menos, não ainda.

Eu estava orgulhosa do meu parceiro com coração de ouro, Taylor, por conduzir meu navio que apenas alguns meses antes parecia estar propositadamente afundando. Eu estava admirada com a nossa capacidade de segurar esperança e dor de uma vez só, e tentar honrar as duas. Muitas lágrimas de gratidão foram derramadas dos meus olhos insones – os quais foram decorados com círculos escuros desde que fiz 26 anos.

A maioria dos meus dias na última primavera passei com Taylor e Zac – que relampeou de volta à minha vida no curso de várias orações que Deus iria me ensinar sobre perdão e restauração até mesmo no meio de grandes perdas. Nós sentamos numa varanda, conversando sobre o tempo que se passou na ausência da companhia consistente um do outro e eu tentei me lembrar do porquê nós nunca conversamos daquele jeito antes. Mas naquele tempo nós não estávamos prontos, eu suponho.

“Eu suponho” era algo que eu amava dizer quando era uma garotinha. Existem filmagens de mim no Mundo da Disney quando eu tinha talvez 4 ou 5 anos, começando cada frase assim, como “Eu suponho que vou querer macarrão”, ou se me perguntassem alguma coisa… Nunca um sim ou não, apenas “eu suponho”.

Isso é importante pra mim porque mais ou menos no último ano – com a minha decisão de descolorir o cabelo – eu tive um doce e acidental retorno à forma. Pode ter sido meu retorno de Saturno. Ou minha coragem de finalmente falar e deixar ir das coisas e pessoas que não eram mais saudáveis pra mim.

Antes da nossa primeira turnê do ano, minha mãe me enviou um recado muito especial que dizia “é uma loucura que vocês nomearam o álbum com qualquer coisa que tenha a ver com “riso” porque nos últimos meses eu voltei a ouvir sua risada novamente. Aquela risada que você tinha quando era mais nova. Incontrolável, contagiante, que-toma-conta-do-seu-corpo. E é assim que eu sei que você está bem.”

Então hoje – um ano inteiro desde o lançamento do nosso 5º álbum, o que eu gostaria de dizer é isto: algumas vezes eu me sinto tão perdida e confusa quanto me sentia um ano atrás. Mas há risos agora, assim como havia no meio daquela pesada nuvem cinzenta. E quando aquela nuvem ameaça escurecer toda brilhante e bonita cor que nos esforçamos tanto para ver… Algumas vezes eu deixo. Até mesmo a dou boas-vindas. Mas eu acho que me sinto um pouco mais esperançosa de que isso logo vai dar lugar a algo mais. Talvez nem mesmo a luz do sol. Talvez apenas uma risada. Uma risada grande, feia, que-toma-conta-do-seu-corpo. Vou esquecer de me preocupar. Vou esquecer de me importar. E simplesmente estar exatamente onde estou, espero que com alguém ou algo que eu ame (ainda estou aprendendo a arte da solidão/isolamento).

E quando eu vir meus amigos mais queridos tendo dificuldades em escapar daquela nuvem, eu vou dar o meu melhor para sentar com eles, chorar com eles, e deixá-los sentir. Porque aquela nuvem dará lugar a eles também. Eu acredito nisso agora, mais do que antes. Mais do que eu costumava pregar. O que mais importa é que nós não somos forçados a sentar, levantar, ou dançar sozinhos debaixo dela. E quando há risos, alguém – ou alguéns! – que amamos estão lá para testemunhar isso.

Obrigada – a qualquer um – por apoiar este álbum. Significa muito. É claro que significa. Espero que ele tenha ajudado de alguma forma a confortá-los em momentos que não eram tão confortáveis. Espero que ele possa continuar a fazer isso. Espero que vocês consigam ler essa caligrafia abandonada por Deus.

Vejo alguns de vocês logo mais num lugar onde poderemos dançar – nuvens de chuva, que se danem! – e celebrarmos juntos, nossas vidas, com o After Laughter.

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Carolina Queiroz

Pernambucana. 21 anos. | Fã de Paramore desde 2008 | amante de música e fotografia | @bewareofcarol on Instagram & Twitter.

  • Ycherry

    Sem palavras…
    Só obrigada por existir Paramore ❤