Hayley Williams comenta diversidade étnica do público das turnês do ‘After Laughter’

Na última terça-feira, 07 de Agosto, Hayley Williams publicou em seu Instagram uma mensagem de agradecimento relacionada ao recente artigo da Nylon Magazine, intitulado “Sim, pessoas negras amam o Paramore e aqui está o motivo”.

Vejam a tradução completa do artigo, e logo abaixo, os comentários feitos pela Hayley sobre a matéria:

“Vocês não vão entrar aqui, vão?” um empregado do Barclays Center perguntou ao meu colega de quarto e eu enquanto entrávamos no local, no Brooklyn, dirigindo-nos rapidamente para o show do Paramore. “Na verdade, vamos sim”, nós respondemos.

Talvez a confusão dele tenha vindo do fato de que nenhum de nós tenha o cabelo colorido ou tatuagens visíveis ou nenhuma estética similar a nenhum dos membros do Paramore ou da legião de fãs da banda. Droga, nós não estávamos nem usando Vans.  Embora essa pergunta possa ter sido feita por causa de nossas escolhas de estilo dissonantes, é mais do que provável que tenha sido feita porque somos negros. E desde quando negros gostam de Paramore?

Se você perguntar a alguém no Twitter, a resposta será sempre. Os negros sempre gostaram do Paramore, mas só agora estamos nos tornando mais confortáveis falando sobre isso. Essa conversa vem acontecendo desde março, quando um usuário enviou um tweet simples de uma linha: “os negros adoram o paramore”. Ele se tornou viral, acumulando mais de 8 mil retweets, quase 24 mil curtidas e uma resposta de Hayley Williams, que twittou: “Acabei de fazer o dia da minha bunda pálida!”

Em junho, Eve ou @localblackgirl no Twitter, twittou a mesma coisa com uma nota adicional: “Se você encontrar uma pessoa negra que não goste de Paramore, ela é branca escura.” Isso foi retweetado mais de 4.000 vezes e quase triplicou essa quantia em curtidas. E assim, o #ParamoreHive ficou maior e muito mais negro.

Eve nos conta que ela se tornou uma fã do Paramore na mesma época que a maioria das pessoas: com o lançamento de “Misery Business” em 2007. No entanto, por mais que ela ame a banda, não esperava que seu tweet fizesse tanto sucesso porque, bem, ela não percebeu que muitos outros negros também ouviam Paramore. “Eu realmente pensei que estava sozinha!”, diz ela.

De certa forma, diz Eve, é uma evolução natural para os negros sentirem um parentesco com a música adjacente ao rock – especialmente considerando que os negros são os criadores desse gênero. “Eu não vou mentir, não achei que era comum negros ouvirem rock, muito menos Paramore”, diz ela. “E então quando eu descobri que os negros realmente criaram o gênero, isso me fez sentir como se não só existissem fãs negros de rock, mas que nós realmente começamos isso. Acho que essa é uma das razões pelas quais nos conectamos com o gênero mais do que as pessoas imaginam.”

A artista Princess Nokia fez uma conexão similar quando foi entrevistada pelo Dazed sobre sua nova mixtape emo, A Girl Cried Red. Quando perguntada por que a música emo fala com jovens negros, ela respondeu: “Há uma vulnerabilidade em se associar com a dor e tristeza que sempre viveu nessa narrativa. Por exemplo, o blues. Os negros sempre amaram o blues – eles basicamente criaram o blues. Os negros criaram o rock, é um fato. Os negros criaram bluegrass e rock and roll muito antes de Elvis Presley e os Beatles. Os negros criaram o punk – a banda Death estava lá muito antes dos Ramones. O mesmo com Bad Brains. Se você pensar sobre isso, a lã foi puxada sob os nossos olhos. Essa parada é nossa. Muito naturalmente, é o motivo que voltamos a isso. É nosso, e sempre será nosso.”

E é por isso que tem sido tão satisfatório recentemente, já que os fãs negros têm sido diretos sobre o seu amor pelo Paramore e os artistas negros têm recuperado seu legado musical. Junto com o mais recente projeto da Princess Nokia, outros como Lil Uzi Vert (que recentemente se gravou cantando “Ain’t It Fun” do Paramore) e Rico Nasty estão introduzindo essa nova era de pós-emo e rap-rock com toneladas de angústia e sentimentos.

E então há apenas o fato de que muitas pessoas são atraídas para o Paramore por causa de Williams. Avril Lavigne pode ter sido a primeira princesa pop-punk de que me lembro, mas Williams é a que mais se destaca em minha memória. De seus gritos guturais em “All I Wanted” até seus cantos suaves de ninar em “The Only Exception”, ela sempre teve o alcance vocal. “Eu acho que os afro-americanos amam uma boa cantora versátil com ótimos vocais”, diz Sasha Jackson, fã dedicada do Paramore desde o ensino médio. “Eles têm algo que normalmente não ouvimos em uma banda de rock… e eu não vou mentir, a banda tem um pouco de soul. As letras em suas canções são envolventes e complexas.”

Eu também não acho que seja uma coincidência que a música que parece ser a mais popular entre os negros – “Ain’t It Fun”- tenha a participação do que parece ser um coro negro durante a ponte da música.

Jackson também teve um tweet viral do Paramore – só que este veio com um vídeo mostrando um cara negro, sem camisa, preparado para cantar letra por letra com a cantora em “Misery Business”.  Quando a batida começa, Williams desaparece no fundo enquanto ele toma o centro do palco, pulando para cima e para baixo e se dirigindo à multidão como se ele fosse o único que todos vieram ver. Se você conhecer alguém com alguma dúvida sobre o amor dos negros pelo Paramore, mostre-os aquele vídeo.

Depois de receber o artigo por e-mail, Hayley foi até seu Instagram comentar sobre a notícia. Confira a publicação e sua respectiva tradução feita por Marvin Laurent, da equipe Paramore Brasil:

ahhh just got this email .. 💐🤘🏿🤘🏾🤘🏽🤘🏼🤘🏻💐 .. #tour5 brought the most diverse and colorful audiences we ever played for.. . oh dammit, a long caption is about to happen: i was moved to tears so many nights on stage, while looking out at an insane spectrum of gloriously sweaty summer skin. the crowds were full of color, culture and carefree smiles i won’t ever forget.. . this is a v rad article that i didnt expect, even after some of the viral tweets 😅 thanks Taylor Bryant for giving voice to people of color who may not feel represented well in alternative genres… (and i love that you’re kicking so much rock history knowledge). music is everybody’s to connect with. it’s such a gift that Paramore get to be a lil part of that.

Uma publicação compartilhada por Hayley from Paramore (@yelyahwilliams) em

ahhh acabei de receber isso por email..
💐🤘🏿🤘🏾🤘🏽🤘🏼🤘🏻💐 .. a #tour5 trouxe a plateia mais diversificada e colorida que nós ja tocamos..
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caramba, isso vai ter uma legenda grande: em varias noites eu quis chorar no palco enquanto olhava o espectro insano de gloriosas peles suadas pelo verão. eu nunca vou esquecer das multidões que eram cheias de cores, culturas e sorrisos despreocupados..
.
este é um artigo muito legal e que eu não estava esperando, mesmo após aqueles tweets virais 😅 muito obrigado ao Taylor Bryant por dar voz à pessoas de cor que, muitas vezes, podem não se sentir bem representadas no cenário da musica alternativa… (e eu amo que você está arrasando nos conhecimentos sobre a história do rock). música foi feita pra fazer todo mundo se conectar. e é maravilhoso que o Paramore possa fazer parte disso.

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Carolina Queiroz

Pernambucana. 21 anos. | Fã de Paramore desde 2008 | amante de música e fotografia | @bewareofcarol on Instagram & Twitter.